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Em "Popcorn", jornalista da era punk faz almanaque divertido sobre filmes de rock

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Capa do livro "Popcorn - O Almanaque dos Filmes do Rock", de Gary Mulholland Imagem: Divulgação

Marta Barbosa

Do UOL, em São Paulo

21/07/2012 07h00

Não espere isenção em “Popcorn - O Almanaque dos Filmes do Rock”, novidade da editora Seoman. O autor Garry Mulholland nem tenta caber na máscara da impessoalidade. Apresenta-se como “um típico jornalista da era punk rock”, que gosta de filmes antigos e acha chato tudo que veio depois de Syd Barrett. Mas é justamente essa parcialidade que torna interessante essa seleção que une duas das principais produtoras de cultura pop de todos os tempos: o rock e o cinema.

A obra, que tem tradução de Henrique Monteiro, é uma delícia de ler. Irreverente, o jornalista britânico não mede palavras para descrever o que ama e o que odeia da telona. O filme “Pink Floyd - The Wall” (1982), por exemplo, até recebe menções de admiração pelo “comprometimento” do diretor Alan Parker e pela elegante animação do cartunista Gerald Scarfe, mas o conjunto da obra é definido como “o mosquito do cocô do cavalo do bandido”. “É um filme de metáforas fúteis, sobre paredes, malditas máquinas de trituração, professores que te obrigam a jantar na escola e sobre a dor terrível de ser um milionário astro do rock.”

Por sorte, o entusiasmo de Garry é o mesmo quando escreve a respeito dos seus favoritos.

Dez mais bate cabeça

"Popcorn" está organizado em ordem cronológica, mas se antecipando ao que o autor Garry Mulholland considera "pergunta que todo mundo faz", em um dos capítulos ele apresenta a lista dos 20 melhores filmes de rock de todos os tempos. Claro, como todo o livro, a lista é baseada numa visão pessoal e intransferível, mas com a qual não é tão difícil concordar. A seguir, os dez mais segundo o jornalista britânico.

Com a palavra, Garry

No topo da relação de melhores filmes de rock está "Privilege" (Privilégio, de 1967), dirigido por Peter Watkins. O roteiro é uma derivação da famosa frase dita por John Lennon nos anos 1960 em que classificava os Beatles como “mais populares do que Jesus”. O autor que reside em Londres descreve com entusiasmo o formato do filme, que imita um documentário da BBC para proporcionar “uma experiência cinematográfica incrivelmente intensa”.

O autor do primeiro almanaque relevante sobre filmes de rock que se tem notícia mostrou saber nada sobre o Brasil. O jornalista, assim como o livro, privilegia o rock inglês. Disse não conhecer nenhuma fita nacional sobre rock. Sorte do leitor que na edição brasileira há uma apresentação de Kid Vinil e um prefácio de Rubens Ewald Filho com algumas citações de fitas nacionais lendárias, como “Absolutamente Certo”, dirigido em 1957 por Anselmo Duarte.

Leia a seguir a entrevista de Garry ao UOL, feita a partir de trocas de e-mail.

UOL - Qual o pior filme de rock que você já viu?
Garry Mulholland -
É um empate entre Pink Floyd – The Wall e The Doors. Pretensiosos, cansativos, sem graça e cheios da velha queixa “como é difícil ser astro” que tem transformado o rock do século 21 tão maçante e sem sexo.

Quanto tempo você levou na pesquisa desse livro?
Cerca de seis meses.

E chegou a conhecer algum filme de rock brasileiro?
Acho que não. Há algum? [Na apresentação e no prefácio da edição brasileira do livro, Kid Vinil e Rubens Ewald Filho citam alguns filmes nacionais].

O que um filme de rock precisa ter para seu bom?
Os mesmos elementos de qualquer outro filme. Bom roteiro. Bom diretor. Bom elenco. Mas, no caso de filme de rock and roll, é preciso também habilidade para transmitir a emoção visceral da música por meio de uma história, assim como pela performance em cena e pela trilha sonora.

Que filmes musicais, mas não de rock, você classifica dessa forma?
Amadeus (1984), Nashiville (drama musical dirigido por Robert Altman em 1975) e Bird (biografia e tributo ao saxofonista Charlie Parker, dirigido por Clint Eastwood em 1988) são melhores do que a maioria dos filmes de rock?

E qual o melhor filme de rock de todos os tempos?
Eu fico com "Privilege", de Peter Watkins. Satírico, com incrível visão cinematográfica e uma aversão saudável a tudo ao redor.

Um filme de rock pode ser ingênuo?
Que ótima pergunta! Em teoria, sim, mas na prática filmes de rock são inacreditavelmente cínicos.


"Popcorn - O Almanaque dos Filmes do Rock"
Autor:
Garry Mulholland
Tradução: Henrique Monteiro
Editora: Seoman
Páginas: 448 páginas
Preço: R$ 58

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