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"Literatura não pode ser discurso de autoajuda", diz Francisco Dantas

Adriano Vizoni/Folhapress
Francisco Dantas durante o último dia da Flip (8/7/2012) Imagem: Adriano Vizoni/Folhapress

Mariane Zendron

Do UOL, em Paraty (RJ)

08/07/2012 13h13

O escritor sergipano Francisco J. C.  Dantas animou o último dia da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), neste domingo (8), ao afirmar que Guimarães Rosa libertou a literatura. Para dizer isso, ele ficou em pé, dando mais emoção à cena.

Segundo ele, o mineiro libertou a literatura de trauma da luta de classes, tema tão abordado por escritores como Rachel de Queiroz e Jorge Amado. "Guimarães Rosa cria uma obra sobre o campo (Grande Sertão: Veredas) que não trata da relação de patrão e empregado. Ele nos libertou desse trauma. Literatura não pode ser discurso de autoajuda, mas também não pode ser cor-de-rosa".

Com isso, Dantas contrariou o tema da mesa, intitulada Literatura Engajada. A conversa também contou com a participação do escritor Rubens Figueiredo e foi mediada por João Cezar de Castro Rocha.

Dantas também tirou gargalhadas do público ao usar seus dez minutos iniciais para agradecer a organização do evento e aos funcionários da pousada onde está hospedado. "Até passaram e engomaram uma camisa minha. Quando cheguei aqui parecia que ela havia sido tirada de uma garrafa".

Mais sério e muito mais tímido, Rubens Figueiredo se concentrou em falar sobre a relação das pessoas com problemas sociais, tema de seu último livro, "Passageiro do Fim do Dia". O passageiro é um homem de classe média que pega um ônibus cheio na sexta-feira à noite para visitar a namorada que mora em um bairro muito mais pobre que o dele. Figueiredo comentou que o personagem mantém distância da outra realidade e criticou a "naturalização" da desigualdade social e da injustiça.  

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