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"Censura é muito bom para a imaginação dos escritores", diz autor de origem russa na Flip

Natalia Engler/UOL
O escritor russo naturalizado americano Gary Shteyngart durante entrevista coletiva na Flip 2012 (7/7/12) Imagem: Natalia Engler/UOL

Natalia Engler

Do UOL, em Paraty (RJ)

07/07/2012 18h25

Nada do que Gary Shteyngart diz pode ser levado completamente a sério. É com ironia que o russo naturalizado americano responde a quase todas as perguntas de jornalistas durante entrevista coletiva neste sábado (7), na Flip 2012.

Gary, que acaba de completar 40 anos, imigrou com os pais para os Estados Unidos em 1979, aos sete anos, e hoje mora em Nova York e dá aulas de escrita criativa na universidade Columbia. “Por que fomos para os EUA em 1979? Foi o ano em que Jimmy Carter e Brejnev fizeram um acordo para trocar grãos por judeus. A União Soviética tinha tido uma má colheita de grãos e os EUA precisavam de judeus”, diz. “Todo mundo que podia deixar a União Soviética, deixava. Não era um bom país para viver”, completa, em tom mais sério.

Sobre esta veia irônica, Gary explica que tem a ver com suas origens. “Minha parte russa vem de uma tradição de sátira sobre o sistema político. E os EUA também iniciou um declínio, que é ótimo para a sátira. Mas era melhor na época do Bush”, diz. O escritor também afirmou acreditar que a origem da sátira tem a ver com a repressão. “É horrível dizer isso, mas censura é muito bom para a imaginação dos escritores. Você tem que pensar em como dizer o que não pode ser dito. A sátira vem daí”, diz.

Gary também usou sua ironia no trailer que fez para seu terceiro e mais recente livro, "Uma História de Amor Real e Supertriste", publicado no Brasil pela Rocco em 2011. No vídeo, o escritor cria para si um personagem ignorante e com forte sotaque russo, e faz graça do mercado editorial, de outros escritores e de si mesmo. Nos EUA, muitas pessoas pararam de ler livros, mas todo mundo gosta de ver pequenos vídeos no YouTube. Nós Percebemos que, se quiséssemos vender algum livro, tínhamos que fazer isso. “Tive a sorte de ter James Franco como meu aluno na época, e ele aceitou participar do vídeo”, conta.

Veja o trailer de "Uma História de Amor Real e Supertriste".

O escritor, que já esteve no Brasil antes e visitou São Paulo, Rio e Salvador, contou que acha a cultura do país muito interessante e mostrou-se surpreso com a existência de um evento como a Flip.”É incrível que exista um festival deste tamanho aqui. Acho que nunca vi nada assim”. E encerrou com mais uma de suas frases afiadas: “A ficção está em um ótimo momento. Seria bom se alguém lesse, mas este é um bom momento”.

Na Flip 2012, Gary participa da mesa "Entre fronteiras" (domingo, 8, 16h30), ao lado do inglês de origem paquistanesa Hanif Kureishi.

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