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Escritores árabes temem que ditaduras sejam substituídas por regimes religiosos autoritários

Mauricio Stycer

Do UOL, em Parati

06/07/2012 19h23

Na mesa possivelmente de conteúdo mais político e menos literário desta Flip, os escritores árabes Adonis e Amin Maalouf falaram com certo ceticismo da Primavera Árabe, o movimento que varreu o Oriente Médio em 2011, causando mudanças políticas profundas na região.

“Uma revolução numa sociedade árabe só fará sentido se respeitar dois princípios básicos: a separação completa entre religião e Estado e a libertação da mulher, dando a ela os mesmos direitos que os homens”, defendeu o poeta Adonis, nascido na Síria e radicado na França.

Sempre mencionado nas listas de candidatos ao Prêmio Nobel, Adonis disse que o regime sírio é “indefensável”, mas disse temer a sua substituição por religiosos. “A Primavera Árabe, no início, foi um movimento de jovens idealistas, mas eles logo foram colocados de lado e os fundamentalistas ocuparam todo o espaço”.

Maalouf, nascido no Líbano e também radicado na França, se disse um “otimista inquieto”. “O movimento, inicialmente, era legítimo. O aspecto pacífico da Primavera Árabe me fascinou no início. Depois virou uma lembrança, só isso”.

Adonis disse ainda que “poesia e religião sempre estiveram em conflito” no mundo árabe. “Não há nenhum grande poeta em nossa tradição que fosse religioso”. O poeta fez então uma defesa da cultura “universalista”: “Aprendi que não existe Oriente e Ocidente no mundo da criação”.

Num momento que causou certo constrangimento na plateia, Adonis classificou o presidente americano Barack Obama de "uma máscara negra num rosto branco". Maalouf foi mais comedido. "Três anos atrás, eu estava exageradamente otimista em relação a Obama. Representava um avanço em relação à política anterior."

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