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Fernando Gabeira e coautor de "Elite da Tropa" discutem autoritarismo na Flip

Flavio Moraes/Fotoarena
Luiz Eduardo Sores e Fernando Gabeira na última mesa do segundo dia da Flip 2012, com o tema Autoritarismo, passado e presente (5/7/12) Imagem: Flavio Moraes/Fotoarena

Natália Engler

Do UOL, em Paraty (RJ)

05/07/2012 21h12

O ex-deputado Fernando Gabeira e o escritor e ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares encerraram os debates desta quinta-feira (5) na Flip com uma das mesas de maior potencial explosivo do evento, "Autoritarismo, passado e presente", com mediação do jornalista Zuenir Ventura.

Os temas da conversa entre o coautor de "Elite da Tropa", livro que deu origem ao filme "Tropa de Elite", e o ex-militante de esquerda deveriam ser assuntos como Comissão da Verdade, Lei da Anistia, sistema prisional e violência policial, mas alargou-se para coisas como corrupção, governo Lula e estilo de comando da presidente Dilma.

Ainda no início do debate, Soares classificou a ditadura militar brasileira como um "hiato dramático e burlesco da democracia" e apontou uma permanência do autoritarismo na história do Brasil. "Mas eu sou otimista. Acho que a democracia já é uma realidade. As instituições estão resistindo bravamente. Há boas perspectivas, mas precisamos reconhecer a brutalidade do Estado que ainda persiste, por exemplo, com execuções extrajudiciais que fazem parte do cotidiano das nossas cidades. Como sociedade, nós críamos um modo de convívio com a barbárie", disse.

Já Gabeira relacionou o autoritarismo com o sistema político vigente no Brasil. "Eu acho que o autoritarismo está no fato deles [políticos] estarem roubando desesperadamente e a gente não conseguir evitar".

"Quando o Lula foi eleito, nós tínhamos muita esperança, mas o que PT fez foi como na peça do [dramaturgo suíço] Friedrich Dürrenmatt em que uma prostituta sai de sua cidade e volta rica, para se vingar, com a ideia 'o mundo fez de mim uma puta, eu vou fazer do mundo um bordel'. É o que diz o PT", completou o ex-deputado.

Soares disse acreditar que um dos motivos da permanência do autoritarismo é a falta de um ritual de passagem entre a ditadura a democracia. "Não confrontamos nosso passado e não chamamos os crimes por seu nome. A maneira como reconstruímos o Estado de direito permitiu a permanência de práticas usadas pela ditadura, como a brutalidade e a tortura, no caso extremo da violência policial. Por isso eu acho que a Comissão da Verdade, com todas as suas restrições, pode ajudar nesse processo".

Ele também afirmou que espera que a iniciativa tenha resultados objetivos. "Espero que nós possamos reunir elementos para sustentar a narrativa que vai ser transmitida nos livros escolares". Já Gabeira diz que não espera muito da Comissão, mas já vê avanços nas discussões na imprensa e na sociedade.

O ex-deputado também afirmou ver avanços nas questões de liberdade individual, como os direitos das mulheres, questões familiares e direitos dos homossexuais. "Mas esse avanço não se deve ao universo político, são avanços da sociedade. E eu acho que é preciso articular sempre esses avanços das liberdades individuais com avanços das liberdades públicas, que dependem de mudanças no sistema que está aí", diz Gabeira.

Questionado sobre o estilo de governar da presidente Dilma, Gabeira disse desconhecer a forma com que ela lida com seus ministros, mas afirmou conhecer a maneira com que se relaciona com o Congresso que, segundo ele, teve seu papel de discussão e decisão esvaziado por sucessivos governos.

O público que lotava a tenda dos autores era formado por pessoas predispostas a dividirem as posições políticas dos convidados, cujas palavras eram recebidas com aplausos frequentes, salvo algumas ressalvas feitas através dos folhetos reservados para o envio de perguntas, a que os autores responderam no fim da conversa.

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