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Para curador da Flip 2012, evento é oportunidade de tocar em questões que vão além da literatura

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O jornalista Miguel Conde, curador da Flip 2012 Imagem: Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

04/07/2012 07h00

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) chega a sua 10ª edição como um evento consolidado, mas que não deixa de apresentar novas facetas a cada ano. Em 2012, o responsável pela “cara” da Flip é o jornalista Miguel Conde, escolhido como curador da festa depois de escrever sobre literatura para o jornal carioca “O Globo” durante oito anos.

E a “cara” da Flip 2012 é um pouco mais brasileira, um pouco mais voltada a questões que extrapolam a literatura e um pouco menos midiática que as edições anteriores – que já apresentaram o músico David Byrne (2011), a autora chilena de best-sellers Isabel Allende (2010) e o compositor Chico Buarque (2009).

“Eu acho que o ponto de partida para montar um evento como a Flip é pensar em um conjunto de escritores dos quais você gosta. O raciocínio é muito mais o que você quer colocar lá do que o que você não quer”, diz Miguel.

O curador acredita que o escritor norte-americano Jonathan Franzen talvez seja um nome mais conhecido do público nesta edição da festa. “Claro que ele é um escritor com muito prestígio, mas não deixa de ser também uma figura com apelo midiático, especialmente depois da repercussão do ‘Liberdade’ e de que ele saiu na capa da revista ‘Times’”, diz.

Outro aspecto desta edição é a presença de temas como urbanismo, história e conflitos políticos e culturais. É o que deve acontecer, por exemplo, na mesa “Literatura e liberdade” (sexta, 6, às 17h15), em que o poeta sírio Adonis e o escritor libanês Amin Maalouf devem falar da Primavera Árabe e das tensões recentes no Oriente Médio.

“A Flip funciona como uma oportunidade para colocar questões que você acha importantes, sabendo que o que vai ser dito ali pode ter alguma ressonância. Acho que, olhando o conjunto, dá para dizer que a programação deste ano tenta desmontar um pouco essa ideia de que a ficção contemporânea tematiza apenas ou sobretudo a própria literatura. O que essa pequena amostragem demonstra é o contrário", diz o curador. Ele , que aponta o espanhol Javier Cercas, a cubana Zoé Valdés e o haitiano Dany Laferrière como exemplos dessa tendência. “Mas é claro que o que justifica a presença de um escritor em um festival como esse são os livros que ele faz e a maneira concreta como certas questões aparecem nesses livros”, completa.

Em 2012, a programação da Flip também dá mais espaço a brasileiros que nunca tinham participado do evento, como Fabrício Carpinejar, Francisco Dantas e Rubens Figueiredo. “Por trabalhar com literatura contemporânea brasileira no jornal e ter estudado isso, eu tinha a impressão de que dava para fazer mesas boas com autores que ainda não tivessem ido à festa. Acho que no fundo o evento ganha com isso. É do interesse da Flip que ela possa funcionar também como um espaço onde se acompanha o que está aparecendo de novo na literatura brasileira”, diz.

Miguel não esteve envolvido diretamente com a homenagem que a Flip faz a Carlos Drummond de Andrade este ano, mas diz que a escolha é acertada. “Os 110 anos são uma efeméride meio quebrada, mas não deixam de ser uma boa ocasião para fazer uma homenagem incontornável. O que a gente tentou fazer foi pensar em ângulos novos de abordagem da obra dele, mostrar um lado desconhecido. Por exemplo, o Antonio Carlos Secchin, que está na mesa ‘Drummond – o poeta moderno’, encontrou um livro chamado '25 Poemas da Triste Alegria', com 25 poemas inéditos, que ele publicou em jornais e revistas na década de 1920 e nunca reuniu em livro”, conta.

Quanto ao público que a Flip reúne todos os anos e cativou ao longo das dez edições, Miguel acredita que é formado por gente que tem níveis muito diferentes de intimidade com a literatura. “É claro que todo mundo que está envolvido na organização da Flip espera que ela tenha uma função não só de apresentação de novos autores, mas de estímulo à leitura para pessoas que não necessariamente leem com muita frequência. A minha impressão – e não é mais que uma impressão – é de um público muito misturado. Tem gente que vai e escolhe mesas muito específicas, de autores que conhece bem, e tem gente que está ali um pouco mais solta, de curioso”.

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