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Na abertura da Flip, Luis Fernando Verissimo brinca sobre por que confundiu "Flip" com "Clip"

Mateus Bruxel/Folhapress
Luis Fernando Verissimo fala durante a abertura da Flip 2012 (4/7/12) Imagem: Mateus Bruxel/Folhapress

Mariane Zendron

Do UOL, em Paraty (RJ)

04/07/2012 19h31

O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo lembrou na abertura da 10ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontece nesta quarta (4), a gafe que cometeu na edição do evento há 4 anos, quando pronunciou “Clip” ao invés de “Flip”.

Neste ano, Verissimo deu um jeito de consertar o erro, enfrentando o nervosismo e a voz trêmula. Disse que o “C” era porque os autores e organizadores da Flip “conspiravam” para deixar as pessoas mais inteligentes. “C” também de cataratas de conceitos, de conversa, uma cacofonia maravilhosa. "Há 10 anos Liz Calder [criadora da Flip) conspira para nos deixar mais inteligentes. O meu C errado pode ser do circo da Flipinha, ou de conhecimento", continuou ele justificando a troca do F pelo C.

O curador do evento, Miguel Conde, disse à plateia que Verissimo viria à Flip nem que fosse para trocar uma lâmpada, justificando a grande simpatia do escritor pela festa. Em seguida, Conde, chamou ao palco Antonio Cicero e Silviano Santiago que fizeram uma análise da obra de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o homenageado da Flip deste ano.

Drummond em detalhes
Silviano Santiago foi o primeiro a tomar a palavra e leu alguns trechos de poemas de Drummond para contextualizar a obra do poeta, apoiando-se em questões políticas, sociais e culturais. De acordo com Santiago, o poeta mineiro expressava diversas facetas. Fruto de uma família da oligarquia mineira, Drummond se viu mais tarde vivendo no Rio de Janeiro, cidade que estava no centro da modernidade. Modernidade e as tradições familiares estavam sempre em conflito, inclusive nas obras do poeta.

Antonio Cicero, por sua vez, destrinchou todo o poema “A flor e a Náusea”, fazendo a cada estrofe referências a outros conflitos de Drummond. No começo do poema, o personagem se muda para a cidade grande, onde se frustra e estranha tanta agitação. O poeta ainda critica o mundo capitalista onde pessoas se comportam como coisas e coisas se comportam como pessoas. No final, no entanto, o poeta se mostra maravilhado com o nascimento da poesia, representada no poema como a flor, em um ambiente tão inóspito.

Depois da conferência e já na Tenda do Telão, antes do show de abertura, o diretor geral da Flip, Mauro Munhoz, falou sobre os dez anos do evento e chamou a criadora e presidente da festa, a editora inglesa Liz Calder, co-fundadora da Bloomsbury, que publicou os livros de Harry Potter. Calder foi recebida com entusiasmo pelo público e fez agradecimentos em seu português carregado.

Em seguida, o grupo Ciranda de Tarituba mostrou um pouco das tradições de Paraty antes do cantor Lenine subir ao palco, às 22h07. Do lado de fora, moradores da cidade e visitantes não se incomodavam em assistir tudo de pé, sob uma lua cheia enorme.

Este ano, a Flip tem como destaques as presenças dos escritores Ian McEwan e dos premiados Jennifer Egan (Pulitzer de 2011) e Jonathan Franzen (National Book Award de 2001).

Veja abaixo a lista da programação principal da Flip:

4 de julho (quarta-feira)

19h - Flip, ano 10
Luis Fernando Verissimo

Drummond 110
Antonio Cicero e Silviano Santiago

21h - Show de abertura, com Lenine e Ciranda de Tarituba

5 de julho (quinta-feira)

10h - Mesa 1
Escritas da finitude: Altair Martins, André de Leones e Carlos de Brito e Mello

11h45 - Mesa Zé Kleber
A leitura no espaço público: Silvia Castrillon e Alexandre Pimentel

15h - Mesa 2
Apenas literatura: Enrique Vila Matas e Alejandro Zambra

17h15 - Mesa 3
Ficção e história: Javier Cercas e Juan Gabriel Vásquez

19h30 - Mesa 4
Autoritarismo, passado e presente: Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira

6 de julho (sexta-feira)

10h - Mesa 5
Drummond – o poeta moderno: Antonio C. Secchin e Alcides Villaça

12h - Mesa 6
O mundo de Shakespeare: Stephen Greenblatt e James Shapiro

15h - Mesa 7
Exílio e flânerie: Teju Cole e Paloma Vidal

17h15 - Mesa 8
Literatura e liberdade: Adonis e Amin Maalouf

19h30 - Mesa 9
Encontro com Jonathan Franzen

7 de julho (sábado)

10h - Mesa 10
Cidade e democracia: Suketu Mehta e Roberto DaMatta

12h - Mesa 11
Pelos olhos do outro: Ian McEwan e Jennifer Egan

15h - Mesa 12
Em família: Zuenir Ventura, Dulce Maria Cardoso e João Anzanello Carrascoza

17h - Mesa 13
O avesso da pátria: Zoé Valdés e Dany Laferrière

19h30 - Mesa 14
Música para Malogrados: Enrique Vila Matas

21h30
Quadrinhos para maiores: Laerte e Angeli

8 de julho (domingo)

10h - Mesa 15
Vidas em verso: Jackie Kay e Fabrício Carpinejar

11h45 - Mesa 16
A imaginação engajada: Rubens Figueiredo e Francisco Dantas

14h30 - Mesa 17
Drummond – o poeta presente: Armando Freitas Filho (em vídeo), Eucanaã Ferraz e Carlito Azevedo

16h30 - Mesa 18
Entre fronteiras: Gary Shteyngart e Hanif Kureishi

18h15 - Mesa 19
Autores convidados da Flip 2012 leem e comentam trechos de seus livros favoritos

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