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Autor de "Fahrenheit 451", escritor americano Ray Bradbury morre aos 91 anos

AP Photo/Stefano Paltera
O autor Ray Bradbury em imagem tirada durante seu aniversário de 83 anos, em Pasadena, Califórnia Imagem: AP Photo/Stefano Paltera

Do UOL, em São Paulo*

06/06/2012 12h29

Escritor norte-americano de ficção científica, Ray Bradbury morreu na noite desta terça-feira (5), aos 91 anos. Sua filha, Alexandra Bradbury, confirmou a morte à Associated Press nesta quarta (6), mas não deu detalhes sobre a causa.

Publicado pela primeira vez em 1953, "Fahrenheit 451", sua principal obra, já vendeu mais de 10 milhões de cópias e foi traduzido em 33 idiomas. Neste livro, o autor imaginou um mundo em que o apetite por novos meios de comunicação e a sua velocidade levava a um declínio na leitura, e por causa disso, os livros são proibidos e queimados.

Bradbury tinha sofrido um AVC recentemente e se locomovia com a ajuda de uma cadeira de rodas. Apesar da idade avançada, o autor ainda escrevia no porão de sua casa em Los Angeles e participava de eventos literários na cidade. "Em uma carreira de mais de 70 anos, Ray Bradbury levou gerações de leitores a sonhar, pensar e criar", declarou a editora em um comunicado.

  • Fotomontagem/UOL

    Capa do livro (esq.) e do filme "Fahrenheit 451" (dir.), que leva esse nome porque é o número de graus que os livros precisam para queimar

O livro entrou de forma brilhante na tradição de grandes livros "distópicos" (em oposição aos "utópicos"), descrevendo sociedades onde um governo autoritário central, oprime a totalidade ou parte dos seus cidadãos. A obra foi adaptada para o cinema em 1966, com Julie Christie e Oscar Werner nos papéis principais e direção de François Truffaut.

Seus textos foram de histórias de terror e mistério ao humor e contos simpáticos sobre irlandeses, negros e mexicanos. Bradbury também escreveu o roteiro de "Moby Dick", em 1956 e "Twilight Zone", além de ter adaptado dezenas de suas obras para a TV. "Uma coisa que sempre fui, foi um autor híbrido", justificou em 2009. "Eu sou completamente apaixonado por filmes, teatros e livrarias."

Inspirado pela Guerra Fria, na década de 50 Bradbury criou "Crônicas Marcianas", uma série de histórias que satirizam o capitalismo, racismo e poder de países colonizadores. Assim como os livros "1984", de George Orwell e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, Bradbury antecipou o futuro em suas obras citando TVs interativas, vigilância eletrônica e atividades da polícia sendo televisionadas.

"O mundo perdeu um dos melhores escritores que conheceu e um dos homens mais queridos para mim. QPD Ray Bradbury (avô Nº 1)", escreveu no Twitter seu neto, Danny Karapetian. Ao todo, o premiado autor escreveu quase 600 contos e 30 livros,  vendeu 8 milhões de livros, que foram traduzidos em 36 línguas. 

Trajetória

Bradbury nasceu em 22 de agosto de 1920, em Waukegan (Illinois, norte dos Estados Unidos). Batizado Raymond Douglas Bradbury descobriu a literatura aos 7 anos de idade com Edgar Allan Poe. Filho de filho de um pai engenheiro e mãe de ascendência sueca, tinha 14 anos quando seus pais se mudaram para Los Angeles. Sofreu um derrame cerebral em 1999, mas conseguiu retomar seu trabalho alguns anos depois. 

"A grande diversão na minha vida foi levantar a cada manhã e correr para a máquina de escrever porque alguma nova ideia havia me ocorrido", declarou Bradbury em 2000. "A sensação que tenho a cada dia é, em grande medida, a mesma que quando tinha 12 anos", disse ao celebrar 80 anos. A fama internacional veio a partir da publicação em 1950 de "Crônicas", um livro elaborado a partir de vários contos curtos.

Reações à morte

Diretores do mundo inteiro expressaram pesar pela morte de Bradbury. "Ele era a inspiração durante a melhor parte da minha carreira ligada à ficção científica. Ele viverá no pensamento de legiões de fãs. No mundo da ficção científica, da fantasia e da imaginação, ele é imortal", disse o diretor Steven Spielberg.

O ator Rainn Wilson, famoso na pele de Dwight Schrute, o aficionado por ficção científica da série "The Office", também lamentou a morte de Bradbury. "Você tornou Marte, viagens pelo tempo e 'Uma Sombra Passou Por Aqui' mais reais do que a própria realidade para um garoto de 14 anos"

O escritor e jornalista Tom Wolfe afirmou que Bradbury era o seu autor favorito em ficção científica, pois tudo o que escrevia tinha embasamento no mundo real. O documentarista Morgan Spurlock, de "Super Size Me", e o escritor Neil Gaiman também prestaram homenagens.

* Com informações de agências Internacionais. 

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