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Primeiro texto de Jô Bilac, "Os Mamutes" aposta em referências que vão de Xuxa a Facebook

Divulgação
Cia de teatro OMONDÉ em cena do espetáculo "Os Mamutes", de Jô Bilac Imagem: Divulgação

Rodrigo Monteiro

Do UOL, no Rio

09/03/2012 07h07

Leon é um jovem comum de uma cidade comum que precisa de um emprego comum. Para conquistar uma vaga na Mamute’s Food, rede multinacional de lanchonetes famosa por vender hambúrguer de carne humana – ou melhor, carne de mamute -, ele vai ter que matar um mamute.

O aspecto fantástico do argumento de “Os Mamutes”, espetáculo de Jô Bilac em cartaz no Rio de Janeiro, tem razão de ser. Escrito há dez anos, o primeiro texto da então jovem promessa do teatro carioca nasceu de “imagens gravadas no inconsciente”, “desenhos obscuros” e “sem nexo” gravados na mente de Jô. “’Os Mamutes’ nada mais é que um sonho traduzido. Não sei ainda das proporções desse sonho. Por enquanto, me limitei pura e simplesmente a escrevê-lo”, faz mistério Jô, que tinha só 18 anos quando escreveu a peça.

Com 11 atores no elenco e 3 músicos, a peça é uma história divertida contada por uma menina de 9 anos com cara de boazinha, gargalhada de bruxa e ideias bastante perversas. Isadora Faca no Peito é interpretada por Débora Lamm, conhecida por suas participações nas séries “Junto e Misturado” (TV Globo) e “Cilada” (Multishow). É ela quem narra a aventura de Leon (interpretado por Diogo Camargos) ao longo de um dia. 

Ainda que a diretora Inez Viana não revele as referências que buscou para o espetáculo, é muito fácil reconhecê-las ao longo da peça. Estão lá, de alguma forma, a apresentadora mirim Maisa, a Rainha dos Baixinhos Xuxa, a rede multinacional McDonald’s, o massacre de Columbine, o hamburguer de siri da “Siri Cascudo” (Bob Esponja), o grupo Rouge, os homens-bomba do Oriente Médio, as novelas mexicanas, o fanatismo das igrejas, o Facebook, o Twitter, os desenhos de super heróis, além da comoção nacional por causas politicamente corretas, como o desmatamento, os mal tratos aos animais e o racismo. 

O importante é que, como acontece em “Alice no País das Maravilhas”, uma das referências citadas pelo próprio autor, cada personagem, por mais maluco que seja, vai ajudando Leon a se tornar mais adulto, mais consciente de suas decisões. Na sua viagem, ele encontra uma dupla de Gêmeos Siameses (Zé Wendell e Júnior Dantas), o super herói Capitão Man (Ricardo Souzedo), o casal apaixonado Jerry e Wendy (Iano Salomão e Juliane Bodini), as revolucionárias Frenesi (Carolina Pismel) e Lola Blair (Jefferson Schroeder), a menina suicida Squel (Luis Antonio Fortes) e a apresentadora de programa infantil da televisão Shiva Moon (Cristina Flores), que é a garota propaganda da Mamute’s Food.

“Fiquei encantada quando li! É um texto repleto de sutil ironia, críticas e poesia, de um inconformado jovem de 18 anos, gritando para o mundo que ‘alguma coisa está fora de ordem’,” defende Inez Viana.

“Fiquei encantada quando li! É um texto repleto de sutil ironia, críticas e poesia, de um inconformado jovem de 18 anos, gritando para o mundo que ‘alguma coisa está fora de ordem’,”

Inez Viana

Quem conhece as obras dos diretores de cinema Alfred Hitchcock e Roman Polanski, a escritora de romances policiais Agatha Christe e o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues também vai identificá-los rapidamente nas histórias de Jô Bilac, que, aos 27 anos, é um dos mais celebrados autores dos últimos anos.

No currículo do autor, dois prêmios muito importantes: o Prêmio Shell 2010 de melhor autor por “Savana Glacial” (direção de Renato Carrera) e o Contigo 2011 por “O matador de santas” (direção de Guilherme Leme, com Ângela Vieira e Tonico Pereira). Cheias de humor ácido, suas peças são daquelas que fazem o público rir a valer, mas, depois, sair do teatro pensando: “Afinal de contas, eu ri de quê?”. 

Depois da comédia “As conchambranças de Quaderna”, de Ariano Suassuna, o espetáculo “Os mamutes” é a segunda produção da Cia OMONDÉ. “Precisava de um bom texto para muitos atores, porque queria dar continuidade ao trabalho começado com o grupo. Jô Bilac me disse que tinha um, o primeiro, guardado na gaveta pelo mesmo motivo: muitos atores”, conta Viana.

Com músicas compostas especialmente para a peça, Marcelo Alonso Neves (Prêmio Shell 2010 pela direção musical de “As conchambranças de Quaderna”) coloca os músicos Aline Gonçalvez, Chico Werneck e Felipe Antello a tocar acordeon, clarineta, clarone e percussão. Os atores cantam ao vivo músicas que fazem lembrar de novelas latinas, enchendo de dramalhão essa salada que diverte pessoas de todas as idades, origens e vivências.


“Os Mamutes”
Onde: Teatro Arena do Espaço Sesc (Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana, Rio de Janeiro)
Quando: até 8 de abril, de quinta a sábado, às 21h, e, aos domingos, às 19h30.
Quanto: R$20 (inteira), R$10 (meia), R$5 (associados ao Sesc)

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