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Artista brasileiro Stephan Doitschinoff abre mostra em Nova York, prepara livro e novo vídeo

Vitor Pickersgill/Divulgação
Stephan Doitschinoff em frente a uma escultura sua, no Parque Ibirapuera, em São Paulo Imagem: Vitor Pickersgill/Divulgação

DANILO POVEZA

Colaboração para o UOL

06/12/2011 18h05

A arte de Stephan Doitschinoff, 34, lida com temas sensíveis: a religião atuando na rotina das pessoas e como conviver com a morte de maneira tão natural como aproveitar a própria vida. Traduzida em telas, sua obra será outra vez exposta em Nova York, a partir de sábado (10), em mostra solo na galeria Jonathan Levine, que já recebeu também o artista brasileiro Zezão e uma exposição do próprio Stephan, em 2010.

A mostra chamada “Novo Asceticismo” conta com 12 telas e desenhos inéditos e encerra um ano de novidades para o artista. No primeiro semestre, dentro do projeto "Igual Diferente" do Museu de Arte Moderna de São Paulo, ele deu aulas de educação artística para alunos sem familiaridade com o tema, principalmente turmas vindas de instituições para pacientes com transtornos psíquicos.

Há quinze dias, lançou o registro em vídeo da primeira performance que dirigiu, realizada em 2010 na ocasião em que expôs na galeria Choque Cultural, em São Paulo, chamado “Tudo É Vaidade”. Na obra de pouco mais de três minutos, Stephan Doitschinoff gravou uma procissão estilizada, cheia de símbolos a que está acostumado desde a educação petencostal-espírita que teve na infância. Imagens desembaralhadas, assimiladas e criticadas depois da adolescência, em função das pesquisas que ele próprio fez em todo terreno religioso, inclusive numa estada de três anos no interior da Bahia, experiência que rendeu o livro “Calma" (nome pelo qual também é conhecido, por causa dos grafites que assinava desta forma, desde a década de 90).

Mural em Lençóis, no interior da Bahia

  • Sonia Onate/Divulgação

    Stephan Doitschinoff passou três anos "pintando uma cidade" na Bahia; acima, um dos murais

Ao UOL, Stephan Doitschinoff comentou sobre essas experiências e adiantou que no ano que vem lançará mais um livro e novo vídeo.

UOL: Qual foi o ponto mais positivo da experiência de dar aulas no MAM para pacientes do Instituto de Piracicaba e do Hospital São João de Deus [dentro do projeto "Igual Diferente"]?

Stephan Doitschinoff: Acho que o ponto mais forte foi inicialmente a autoanálise e a reflexão sobre meu processo criativo. Para desenvolver esse curso tive que destrinchar meu processo de pesquisa desde o início e entender como eu cheguei até aqui, coisa que não tinha feito tão profundamente.

UOL: E de que forma você tem aproveitado a experiência com os alunos e as palestras?

Stephan Doitschinoff: Nas palestras eu conto um pouco dessa mesma história [de reflexão e autoanálise] e acabo conectando com o significado dos símbolos e ícones presentes no meu trabalho. Todo esse material está sendo gravado e vai ser parte do conteúdo do meu próximo livro. Tenho me direcionado um pouco para essa reflexão, fazendo um paralelo de como os símbolos vão sendo apropriados e modificados pelos novos movimentos culturais ou filosóficos.

  • Gal Oppido/Divulgação

    O paulista Stephan Doitschinoff trabalha em ilustração. Ele já expôs em San Francisco e Manchester em sua carreira

UOL: Sobre o vídeo “Tudo É Vaidade”, você pretende seguir mais por esse campo da performance e do audiovisual?

Stephan Doitschinoff: O cinema é uma mídia que estou começando a desenvolver. No “Temporal” [vídeo sobre sua estada na Bahia] não me envolvi tanto porque estava lá enquanto ele era finalizado em São Paulo, mas quis estar mais presente no “Tudo É Vaidade” e me envolvi muito mais no “Brilho do Sol”, [novo vídeo] que vai ser lançado em janeiro. Para mim é uma investigação sobre a linguagem que envolve a performance, mas também cinema e teatro, com o qual posso trabalhar figurino, desenho de personagem e dinâmica.

UOL: Há um trecho no vídeo “Temporal” que você fala de seu perfil crítico às instituições. O que mais te deixa inquieto nesse instante?

Stephan Doitschinoff: Acho que é um momento muito especial. As pessoas estão usando os novos meios de comunicação para organizar levantes, passeatas e ações, o que é excelente, pode gerar reflexão. Acho também interessante o fato de que em muitas dessas ações não existam bandeiras especificas. Acredito que todas essas crises são facetas de uma crise muito maior, que é uma crise de percepção.

UOL: É verdade que você vendeu há dez anos uma obra para o Robert Plant?

Stephan Doitschinoff: Na verdade essa história foi com o Jimmy Page [assim como Plant, integrante do Led Zeppelin], ele foi a primeira exposição que eu fiz fora do Brasil, no Windsor Art Center [na Inglaterra], em 2002. Ele tem uma das maiores coleções privadas de manuscritos de ocultismo do mundo e uma coleção de arte bem importante. Foi um encontro bastante significante para mim. Mais tarde visitei a Tower House, uma das casas/patrimônio histórico dele,  que é inteira coberta de afrescos ocultistas... Paredes, tetos e piso.

UOL: E como será a exposição em Nova York? Como vai aproveitar o seu tempo lá?

Stephan Doitschinoff: Sempre que viajo para montar alguma exposição acabo conhecendo os artistas locais. Quero muito ver a exposição do Cattelan [Maurizio Cattelan], que é um dos meu cinco artistas preferidos, quero ver os parques... e a cidade no inverno. Os noticiários mostram que os EUA estão entrando numa grande crise, então acho interessante sentir a diferença entre o que as pessoas dizem e o que aparece na mídia. Normalmente tem uma discrepância muito grande.

A exposição do artista, intitulada "Novo Asceticismo", fica em cartaz na Jonathan Levine Gallery (529 West 20th Street) de 10 de dezembro de 2011 a 7 de janeiro de 2012.

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