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Análise: Surpresa é a poesia lírica voltar a ser premiada com o Nobel de Literatura

Maja Suslin/Scanpix/Reuters
Poeta sueco Tomas Tranströmer demonstra que "não acreditava" que ganharia Prêmio Nobel de Literatura Imagem: Maja Suslin/Scanpix/Reuters

MARTA BARBOSA

Colaboração para o UOL

06/10/2011 13h32

Não chega a ser uma surpresa a escolha de Tomas Tranströmer como Prêmio Nobel de Literatura 2011, afinal o poeta sueco está na fila dos favoritos há bastante tempo. Tomas era tido um eterno candidato ao Nobel, embora muitos dos seus seguidores já consideravam essa uma causa perdida. 
 
E tinham uma razão algo concreta: como representante da poesia lírica, Tomas talvez tivesse pela instituição a mesma atenção que recebe das livrarias modernas, relegado aos cantos das prateleiras. Mas aí sim está a surpresa: o Nobel entregue a um poeta lírico após 15 anos da premiação da última representante deste estilo narrativo, a poetisa polonesa Wislawa Szymborska (Nobel em 1996).
 
A importância de Tomas para a poesia dos nossos tempos é inquestionável. Não à toa, sua obra está lançada em mais de 30 línguas, o que faz dele o poeta sueco mais traduzido. Isolado numa ilha, e com 80 anos, ele continua a produzir, mesmo após um derrame cerebral em 1990 reduzir sua capacidade de fala.
 
Há poucos estudos sobre a poesia de Tomas no Brasil --até bem pouco tempo, nem editora ele tinha no país. O mais divulgador de sua obra é o poeta americano Robert Bly, que publicou em 1987 "New Collected Poems", uma coletânea com a obra completa traduzida ao inglês. 
 
Tomas nunca publicou ensaios sobre seu trabalho, mas usa da metalinguagem em alguns de seus versos. Percebe-se sua preocupação na busca pela linguagem original, quando as palavras se desprendem de seus sentidos individuais para formar um todo narrativo, como neste trecho de "Em Março de 79": 
 
"Farto de todos aqueles que com palavras fazem palavras mas onde não há uma linguagem; 
Dirigi-me para a ilha coberta de neve.
A veação não conhece palavras. 
As páginas em branco dispersam-se em todas as direções. 
Eu dei com vestígios de cascos de corça na neve. 
Linguagem, mas nenhuma palavra"
 
Tomas era adepto do verso livre, sem restrições métricas, marca do modernismo, embora também tenha experimentado a linguagem métrica. Sua mais clara influência é o poeta lírico romano Horácio, marcadamente defensor do tempo presente. Como Horácio, Tomas reconhece em sua poesia que a vida é breve.
 
O tempo é uma importante problemática nos versos do Nobel, que tenta apreender com palavras um instante. Sua poesia é concisa em palavras, e em enredo. Traz ao leitor um momento da vida, como uma pintura realista ou uma fotografia. E nisso está baseada a justificativa para sua escolha pela instituição sueca: "por meio de suas imagens condensadas, translúcidas, ele nos dá um novo acesso à realidade".
 

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