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Ícone da comédia stand-up, Jerry Seinfeld estreia show com apresentação rara em Londres

Charles Rex Arbogast/AP
O comediante Jerry Seinfeld durante o show "Surprise Oprah! A Farewell Spectacular", em Chicago, nos EUA (17/5/2011) Imagem: Charles Rex Arbogast/AP

PEDRO CAIADO
Colaboração para o UOL
De Londres

04/06/2011 14h57

“Eu estou em Londres? Vocês estão brincando comigo?”. Assim começou o primeiro e aguardado único show de Jerry Seinfeld no Reino Unido nesta sexta-feira (3), 13 anos após a ultima aparição do humorista na capital britânica, em 1998. O espetáculo abriu a nova turnê de Seinfeld -- que passará pelos países escandinavos, continuando pelos EUA -- e atraiu em torno de 18 mil pessoas para a Arena O2, um enorme espaço reservado a bandas e artistas badalados. O público variava de jovens não muito familiarizados com o humor de Seinfeld a eternos apaixonados pelo seriado televisivo. Os caros ingressos foram vendidos por cerca de £100 (R$ 230), explorando a chance única de ver o lendário comediante em rara apresentação no Reino Unido.

Seinfeld provou que seu conhecido estilo afiado de fazer comédia sobre o cotidiano -- a stand-up comedy que ele tanto leva a sério e que o fez bem-sucedido -- continua com fôlego. Ele é dos poucos humoristas norte-americanos a conseguir cruzar o Atlântico e atiçar o interesse de uma enorme audiência em um pais louco por comédia, mas cujo senso de humor pode ser pouco compreendido.

“Muito obrigado por virem aqui esta noite. Nunca sonharia fazer este show tão longe de casa neste lugar magnífico. Isto é tudo o que eu tenho a dizer para vocês, muito obrigado, até mais”, foi a piada inicial do comediante.

Seinfeld, atualmente com 57 anos, aparenta muito menos que sua idade. Vestindo um paletó escuro, sempre ao lado de um banco com uma garrafa e um copo de água, ele demonstrou tranquilidade e confiança nos 90 minutos de apresentação. Provou também que o passar dos anos  -- incluindo a experiência de ser pai, o sucesso e a riqueza acumulados -- aparentemente não o fizeram perder contato com o senso comum, algo único em sua comédia de observação. O conhecido talento do humorista para exagerar simples situações do cotidiano permanece o mesmo.

Entre as piadas do novo material estão observações sobre a etiqueta de usuários de smartphones; comentários sociológicos sobre os efeitos do email -- e de não fazer parte de Facebook ou Twitter --; e uma exagerada e surpreendente explicação do poder (ou da impotência) que um telefone celular pode ter em nossas vidas, com o cômico gestual típico do comediante.

Como uma experiência religiosa em que o público confessa seus pecados por meio da voz de seu líder, o show de Jerry Seinfeld parece dar voz a muito do que o público pensa, mas talvez não tenha a coragem de admitir. O tom de voz às vezes sério e cínico, ou totalmente esganiçado do comediante é o grande ‘culpado’ pela graça de algumas piadas.

Em uma passagem impagável, ele “ensina” a nunca se sentir mal se sua vida é uma droga: “Uma das grandes lições que aprendi é que o fato que faz algo ser uma droga ou ótimo é muitas vezes similar”. Seus comentários sobre as implicações de um casamento são igualmente excelentes -- ele compara o casamento a um game show de TV -- o que lembrou o seu infeliz programa de TV "The Marriage Ref".

Entre outros assuntos abordados, alguns típicos da impaciência e do humor seco de Seinfeld, o show inclui a tolice da previsão do tempo -- “Já ouviu perguntas do tipo: ‘Será que o tempo vai ficar bom hoje?‘ Claro que eu não sei!"; piadas sobre cremação; obesidade dos norte-americanos; homens-bombas com má sorte, que permanecem vivos; e o marketing das bebidas que prometem hidratação. Seinfeld divaga sobre a paciência e esforço do público em comparecer ao seu show em uma sexta-feira à noite. “Eu sei, foi um pé no saco para chegar aqui. Há toda uma preparação -- O que vou vestir? Onde parar o carro? Será que vou pegar um bom lugar? O que vamos comer?”.

O tom de voz, os gestos e a maneira de colocar uma simples situação são, por si só, puro entretenimento do show. Após uma hora e meia de piadas sobre o ordinário de nossas vidas, há um sentimento libertador e de concordância de que quase tudo o que foi abordado é um engraçado e verdadeiro reflexo do quanto, no fundo, nossas vidas são terrivelmente semelhantes.

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