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Maior feira de arte do Brasil busca ampliar público com obras mais baratas

MARIO GIOIA
Colaboração para o UOL

12/05/2011 07h00Atualizada em 16/05/2011 15h17

Fotografias de série recente da sérvia Marina Abramovic, uma das principais artistas contemporâneas, em duas galerias diferentes -- a paulistana Luciana Brito e a prestigiada espanhola La Fabrica --, indicam que a 7ª edição da feira SP Arte, que é aberta nesta quinta-feira (12) para o público no Pavilhão da Bienal, está com um tom mais internacional.

“Hoje são 14 [galerias] do exterior, só três a mais que no ano passado, mas que atestam o interesse sobre a arte brasileira”, afirma Fernanda Feitosa, a diretora do evento, que se espalha por 13 mil m² do edifício projetado por Oscar Niemeyer no parque Ibirapuera. “Vejo de duas formas essa presença estrangeira. Uma é exibir para o público brasileiro trabalhos de artistas que não são vistos facilmente aqui no país. A outra diz respeito ao crescente prestígio da feira paulistana.”

Além da La Fabrica, que conta com Abramovic, podem ser destacadas a britânica Stephen Friedman e as norte-americanas Hasted Kraeutler e Leon Tovar. No total, são 89 galerias. O público do ano passado foi de 16 mil visitantes nos quatro dias de feira.

Nesta edição, a feira tem também obras mais baratas e pode ser um bom lugar para a compra de trabalhos de qualidade e de relativo preço baixo -- ao menos nas cifras desse mercado -- e obras que podem ser parceladas, dependendo da galeria. Espaços como o da Motor e da dConcept abrigam uma variedade de peças interessantes para colecionadores em começo de aquisições ou para quem procura boas ofertas. Na Motor, objetos de Bruno Mendonça custam R$ 700 e produções fotográficas apuradas de artistas já em circulação no mercado, como Mariana Tassinari podem ser adquiridas por uma faixa de R$ 2 mil a R$ 4 mil. Já na dConcept, um livro de artista de Ana Paula Lobo custa R$ 800; um desenho de Daniela Liu Herzog, R$ 1.200.

Peças com valor abaixo de R$ 1 mil não são tão fáceis de encontrar, mas o conjunto de estandes que inclui a Motor, a dConcept, a Amarelonegro, a Mezanino e a Emma Thomas, entre outras galerias, possuem oferta de obras em conta. O mais comum é serem ofertadas peças por menos de R$ 10 mil.

  • Shin Shikuma / UOL

    Obra dos artistas e grafiteiros Osgemeos em exposição na SP Arte 2011

Galerias mais consolidadas no circuito, como a Eduardo Fernandes, oferecem também trabalhos com preços mais baixos. Na Eduardo Fernandes, fotografias de Ana Amélia Genioli e Rafael Adorján podem ser compradas por R$ 2.800.

“O mercado está muito legal”, diz Matthew Wood, sócio da Mendes Wood, galeria novata de SP e em seu segundo ano na feira. “Aqui, você pode comprar trabalhos de artistas em começo e meio de carreira, que vão de R$ 4 mil a R$ 100 mil”, diz ele, que tem no seu elenco a própria Tassinari, Lucas Arruda e Theo Craveiro, entre outros nomes emergentes. “Gosto muito de fazer a SP Arte. Ela está acima da média do padrão internacional, tudo é bastante profissional. Lá fora, às vezes sofremos com paredes enrugadas e outros problemas.”

E não apenas em galerias de porte menor existem achados. A galeria Millan, uma das mais poderosas nesse mercado -- representa Tunga, Miguel Rio Branco e Anna Maria Maiolino, por exemplo --, tem nos seus artistas jovens trabalhos com preços acessíveis no segmento. Uma pintura de Tatiana Blass, destaque entre os brasileiros nas 29ª Bienal de São Paulo, pode ser comprada por R$ 10 mil; uma grande tela de Rodrigo Bivar, R$ 15 mil; um trabalho de Artur Barrio, que acabou de receber o Prêmio Velázquez, R$ 35 mil. “Às vezes o jovem colecionador se intimida um pouco ao ver artistas de carreira mais longa por aqui e pode perder chances de comprar boas obras, de nomes mais jovens”, diz Socorro Lima, que aponta uma escultura de Amilcar de Castro como sua peça mais cara -- R$ 350 mil.

A peça está entre as mais custosas do evento, mas está longe de ser um exemplo isolado. Trabalhos de nomes prestigiados em âmbito internacional, tanto mais históricos como Antonio Bandeira e Jesús Soto e contemporâneos como Adriana Varejão e Vik Muniz, são vendidos por cifras que extrapolam R$ 100 mil.

O otimismo está presente na maioria dos galeristas, que esperam repetir o bom desempenho do ano passado, quando a feira atraiu numerosos colecionadores, críticos e curadores do exterior e registrou um movimento de R$ 32 milhões. “Estou animada”, diz Raquel Arnaud, uma das mais experientes no circuito e que detém peças de Sergio Camargo e Waltercio Caldas, muitas com seis dígitos em seu preço. André Millan é mais precavido. “Há uma grande expectativa, mas prefiro esperar os resultados.”

Andar de instalações
Outra novidade na SP Arte é um andar destinado a instalações, esculturas e intervenções. Algumas das obras são inéditas, como a feita por Rubens Mano (na galeria Millan) e a de Paulo Vivacqua (na galeria Moura Marsiaj). Outras foram destaques em mostras inéditas em São Paulo, como “Bastidor”, da carioca Ana Holck (Zipper), que foi uma das principais no circuito do Rio no ano passado, tendo sido exibida no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) da cidade.

Alice Miceli, Eduardo Climachauska, Wagner Malta Tavares, Luiz Zerbini, Nelson Felix, Zilvinas Kempinas e Marcelo Cidade são outros dos artistas com trabalhos espalhados nesse espaço. Uma reunião de vídeos com curadoria de Paula Alzugaray também é exibido no andar.


SP ARTE 2011
Onde:
Pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3)
Quando: quinta e sexta, das 14h às 22h; sábado e domingo, das 12h às 20h; apenas até domingo (15/5)
Quanto: R$ 30

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