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Decadente, Charlie Sheen faz stand-up com cara de palestra de autoajuda

SUZANA BUENO
Colaboração para o UOL
Em San Francisco (EUA)

09/05/2011 12h18

Todos os lugares do anfiteatro do Nob Hill Masonic Center, em San Francisco, nos EUA, foram ocupados no último dia 30 de abril por espectadores curiosos em saber como seria um show de stand-up do ator Charlie Sheen, astro com o maior salário da televisão norte-americana durante a última temporada de "Two and a Half Man". Série, aliás, que foi abruptamente suspensa pela demissão de Sheen da emissora CBS.

Pretensiosamente intitulado "My Violent Torpedo of Truth: Defeat Is Not An Option", que pode ser traduzido como "Meu Torpedo Violento da Verdade: Derrota Não É Uma Opção", o espetáculo de Charlie Sheen, que subiu ao palco com voz rouca e aparência debilitada, mostra como sua noção de "vitória" é só mais uma estratégia de auto-promoção.

A apresentação, em turnê pelos EUA, é dividida em três partes: vinte minutos de exibição de videoclipes de homenagens ao ator, daqueles mesmos que são encontrados na internet, uma apresentação breve de Charlie Sheen, e uma longa sequência de perguntas e respostas. Não há roteiro, fato justificado prontamente pelo ator: "Vocês compraram um ingresso para algo que não faziam ideia do que poderia ser!".

Seu discurso apresenta um misto dos seus já conhecidos jargões utilizados de forma exacerbada, auto-promoção e atitude de alguém que pensa ser o arauto da coragem e da verdade. A apresentação não se enquadra nem na categoria de stand-up comedy, nem na de monólogo confessional, e chega perigosamente perto de se transformar em uma palestra de autoajuda, na qual afirmações de superação e desafiar-se a cada dia tomam o lugar do entretenimento esperado.

As perguntas do público que foi ao Nob Hill Masonic Center tinham o potencial de dar maior fôlego à apresentação, mas infelizmente foram focadas em inflar o ego do ator e em pedir opinião sobre assuntos políticos. Destacaram-se as pessoas que pediram para o ator usar seus "superpoderes" para encontrar pessoas perdidas, as dúvidas sobre o tamanho dos "dotes físicos" de Sheen, quem puxava o microfone só pra dizer o quanto o astro era vencedor e quem queria saber o que ele achava de desastres como o de 11 de Setembro de 2001. O público também colaborou com gritos histéricos que impediam o ator de falar sem interrupções.

Cinco minutos da apresentação se salvaram, porém: quando uma espectadora perguntou sobre um determinado episódio que envolvia Sheen e o ator Nicolas Cage, o astro de "Two and a Half Men" deixou o profetismo de lado e contou, como em uma boa conversa de bar, sobre quando Nick Cage pegou o microfone de bordo do avião em que viajavam e começou a falar como se fosse o piloto, dizendo que ele tinha perdido o controle da aeronave. Talvez mais histórias de seu passado cheio de sexo, drogas e rock 'n roll pudessem salvar esse naufrágio certo.

A falta de planejamento e experiência em lidar com o público mostra, de um jeito cruel, como Charlie Sheen não sobrevive bem fora de "Two And a Half Man". Em meio a gritos e odes ao sangue de tigre -- tão falado pelo ator, que daria a ele a constituição de um super-herói --, sobra a sensação de que o show é um desejo desesperado de Charlie Sheen por atenção e dinheiro.

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