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Arte urbana com tricô leva cores e aconchego para centros urbanos

William Anthony/Knitta Please
Integrantes do grupo Knitta, Please fazem instalação em poste da cidade de Nova York. Quando as lãs começam a se deteriorar, são retiradas pelas artistas Imagem: William Anthony/Knitta Please

ESTEFANI MEDEIROS

Colaboração para o UOL

30/04/2011 07h00

“Terça-feira, às 6h15, guerrilheiros do crochê de volta a ação!”. É assim que Alícia Roselló Gené, uma ativista do “knit graffiti” (tipo de arte urbana que usa lã) convoca uma ação em Barcelona por meio de seu blog. Para participar da chamada “guerrilha”, cada participante tem que levar um pedaço de malha feita em tricô verde, com o propósito de reivindicar a falta de parques e áreas verdes no bairro.

Uma coisa que acho que os grafiteiros tradicionais talvez não entendam é quanto demora para cada peça de malha de tricô ser feita

Leanne Prain, artista urbana

Conhecido como “knit graffiti” ou “yarn bombing” (em tradução livre, “explosão de lã”) a técnica consiste em envolver pedaços, recortes ou fios de lã em objetos urbanos com o propósito de levar mais aconchego e cor para as cidades. A ideia surgiu em 2005, com a texana Magda Sayeg, que fazia tricô em casa, mas quis levar uma "arte mais humana para as ruas".

Magda é criadora do projeto pioneiro Knitta, Please, que a leva pelo mundo tricotando em grandes centros urbanos. Dentre algumas das ousadas peças organizadas por Sayeg estão a produção de um ônibus em El Salvador e ação com árvores de um parque em frente ao prédio do Capitólio, em Washington.

Em entrevista ao UOL, a artista Knotorious Meg de Virginia, nos Estados Unidos, fala sobre o perigo da arte de rua feita com lã acabar poluindo as ruas ao invés de enfeitá-las. "Normalmente, meus trabalhos são removidos pelos trabalhadores da cidade antes que haja algum perigo deles molharem ou estragarem. Se eles permanecem por vários meses e começam a desgastar, eu saio e removo eu mesma. Fiz uma 'bomba de fios' em Londres em outubro e um amigo recentemente me mandou uma foto mostrando que ela continua ativa, mas já está parecendo bem gasta. Então, pedi a ele para ir lá e removê-la. Eu quero iluminar as ruas, e não torná-las sujas”, diz Meg.

Essa prática é tomada pela maioria das "grafiteiras de lã", que colocam em algumas de suas obras uma etiqueta com o nome do grupo, como uma forma de assinar a peça. Para fazer grandes quantidades de tricô, Magda conta "já gastamos muita lã. Também usamos teares de manivela porque eles economizam muito tempo. Como geralmente estamos envolvidas com o desenvolvimento de projetos, agora temos uma equipe que ajuda na produção". 

“Knit Graffiti é definitivamente arte de rua", diz Meg. "A cidade onde moro é muito rígida com grafite, mas parece pegar mais leve com grafites feitos com malha. Em uma entrevista por telefone para a imprensa local me perguntaram sobre a legalidade do que estou fazendo. A polícia afirmou que, enquanto o trabalho for removível e não causar danos permanentes ao imóvel, eu não iria entrar em apuros”. Magda completa dizendo que "no começo fomos interrogadas, mas como o fio não tem substâncias adesivas ou de pintura e são sempre removidos, não causa danos à propriedade pública. Por isso a lei não considera malha ilegal".

Mesmo que homens participem das "guerrilhas", as mulheres ainda são maioria nessa arte urbana e mesmo que sofram menos repressão policial, acham que sua arte não é entendida.

"O grafite com lã pode ser muito relacionado com o grafite tradicional. No entanto, por ter uma aparência mais confortável, é mais fácil conseguir uma maior aceitação do público. Uma coisa que acho que os grafiteiros tradicionais talvez não entendam é quanto demora para cada peça de malha de tricô ser feita. Pode demorar horas para fazer apenas um pedacinho de malha", diz Leanne Prain do Yarn Bombing.

"Existe uma mulher em Paris que usa o grafite para preencher buracos no asfalto. Além de bela, a malha pode ser fonte positiva contra o aquecimento global", completa.

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