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Competitivo mercado de artes de SP tem outro 'boom' de novas galerias

MARIO GIOIA
Colaboração para o UOL

19/04/2011 13h00

Em tom anos 80, com uma exposição individual de Alex Vallauri (1949-1987), a galeria Jaqueline Martins inaugurou no último sábado (16) suas atividades no mercado da arte paulistano, que vive um “boom” de aberturas recentes de galerias. A cidade vive essa efervescência desde o final do ano passado, com a abertura da galeria Central, que foi seguida do desembarque da carioca Laura Marsiaj e da pernambucana Mariana Moura para constituir a Moura Marsiaj (no espaço da extinta Oeste), no último dia 28. E a Transversal se instalou na Barra Funda, próximo ao galpão da Fortes Vilaça, uma das mais importantes galerias da cidade.

Esses quatro novos espaços abertos em um curto período de tempo guardam semelhanças com outro bom momento, entre o final de 2009 e o começo de 2010, quando Mendes Wood (anteriormente Rhys Mendes) e Zipper começaram a funcionar em São Paulo. A galeria Novembro iniciou suas atividades, mas fechou em pouco tempo. Já a Baró se associou com a Emma Thomas e seguiu para a Barra Funda para ocupar um espaço de grandes dimensões, semelhante a um hangar.

Será que o mercado de arte paulistano abriga tantas iniciativas? Os novos empreendedores estão otimistas.

“O mercado está muito aquecido. Há uma geração mais nova de colecionadores e compradores em geral. A renda em São Paulo tem aumentado muito. Já a idade média de altos funcionários de empresas tem caído muito. Assim, há mais gente jovem com mais dinheiro hoje”, afirma o curador e cientista político João Grinspum Ferraz, que levou à frente a ideia de abrir a Transversal com outros três sócios -- o empresário Jayme Vargas, o advogado Rodrigo Monteiro de Castro e o engenheiro Francisco de Assis Esmeraldo. Todos são colecionadores reconhecidos.

Há uma geração mais nova de colecionadores e compradores em geral. A idade média de altos funcionários de empresas tem caído muito. Assim, há mais gente jovem com mais dinheiro hoje

João Grinspum Ferraz, curador e cientista político

“Trabalhei antes em marketing de produtos de consumo. Tive acesso a estudos mostrando que o brasileiro, depois de longos anos chamados de ‘era do ter’, está entrando na ‘era do ser’”, conta Wagner Lungov, físico de formação e consultor de empresas por muitos anos. “Cada um, ao seu modo e na medida do seu bolso, depois de gastar muito com automóveis, eletroeletrônicos, imóveis e outras coisas que achava que precisava ter, consumindo seu excedente de renda por uns bons anos, agora aponta para mais gastos dirigidos ao autodesenvolvimento: viagens, shows, bens culturais, educação, colecionismo. Nisso, entram as artes plásticas.”

Lungov agora exibe uma individual de Bartolomeo Gelpi, artista também presente em mostra no Centro Universitário Maria Antonia, uma das principais vitrines para novos artistas na cidade. Para a exposição da Central, que segue até 15 de maio, o chamariz é um site specific instalado na fachada da galeria, na movimentada avenida Rebouças. Os motoristas presos nos engarrafamentos da via podem ver as coloridas faixas verticais pintadas por Gelpi na entrada do espaço.


View Mapa das novas galerias de SP- 2011 in a larger map

Marsiaj se associou a Moura em um empreendimento de impacto, já que as duas sócias têm importantes bases no Rio e em Recife e entram no competitivo mercado paulistano. “Tivemos o cuidado de nos estruturar em nossas cidades antes de abrir em SP. Vamos dividir nosso tempo”, diz a galerista carioca. “Acho que vivemos um momento único no Brasil, o de uma economia mais fortalecida”, diz ela, que apresenta agora individual de Carlos Mélo, ganhador do Marcantonio Vilaça, o mais importante prêmio da área no Brasil, em 2006.

Perfis

Para Jaqueline Martins, que inicia suas atividades em local próximo de outra importante galeria de São Paulo, a Virgilio, em Pinheiros, os novos espaços têm de possuir perfis diferenciados.

“O meu perfil vai ser de resgatar alguns nomes importantes da arte brasileira. Assim, Alex Vallauri abre bem nossas portas”, acredita ela. Vallauri foi um dos pioneiros do grafite no país, espalhando pelas ruas de São Paulo no início dos anos 80 personagens que se tornaram emblemáticos, como a Rainha do Frango Assado. A individual apresenta cerca de 50 trabalhos, entre eles peças de PVC com desenhos característicos de Vallauri, como cobras e botas, além de desenhos como o da série “Acrobatas”, hoje presente até em acervos museológicos. Vallauri ganhará no segundo semestre retrospectiva no Museu Afro Brasil e livro a ser lançado pela editora Bei.

“A Transversal é uma galeria de arte contemporânea com poucos artistas, para poder trabalhá-los bem. Eles variam desde os da geração 80, como Ester Grinspum e Claudio Mubarac, até jovens artistas, como Wagner Morales e Ding Musa. O elenco foi pensado respeitando o critério do olhar aguçado de colecionador dos sócios”, afirma Ferraz. No espaço, é apresentada uma individual do fotógrafo britânico Clay Perry, que fez registros históricos de Yoko Ono, Mira Schendel (1919-1988) e Sergio Camargo (1930-1990), entre outros artistas.

“A galeria tem um perfil fora da ‘zona de conforto’. Trabalha com artistas emergentes. Procuro aqueles que sejam fiéis às suas intuições, dedicados em seu trabalho e que nos façam pensar com suas criações. Não ligo para formatos e mídias. Juntos queremos ser uma central de ideias e de novas respostas em arte”, avalia Lungov, que, além de Gelpi, tem Mônica Rizzolli e Tatiana Cavinato como representados na Central.


ALEX VALLAURI
Quando: até 21/5; de segunda a sexta, das 11h30 às 19h, e sábado, das 11h às 17h
Onde: galeria Jaqueline Martins (r. Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 74, tel. 0/xx/11/2628-1943)
Quanto: entrada franca
 
BARTOLOMEO GELPI
Quando: até 15/5; de terça a sexta, das 11h às 19h, e sábado, das 11h às 18h
Onde: galeria Central (av. Rebouças, 1545, tel. 0/xx/11/2613-0575)
Quanto: entrada franca
 
CARLOS MÉLO
Quando: até 30/4; de terça a sexta, das 10h30 às 19h, e sábado, das 12h às 18h
Onde: galeria Moura Marsiaj (r. Mateus Grou, 618, tel. 0/xx/11/3031-1061)
Quanto: entrada franca
 
CLAY PERRY
Quando: até 30/4; de terça a sexta, das 11h às 20h, e sábado, das 11h às 14h
Onde: galeria Transversal (r. do Bosque, 206, tel. 0/xx/11/3392-5287)
Quanto: entrada franca
 

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