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Artista brasileira radicada em San Francisco apresenta seu "pós-romance" em São Paulo

ANTONIO FARINACI
Colaboração para o UOL

05/04/2011 07h00Atualizada em 04/04/2011 21h29

“Por favor, só não diz que é irreverente”, brinca Patrícia Colli, 28, mais conhecida como Pacolli, ao falar de seus trabalhos, “nem romântico, nem infantil, tá?”. Até o dia 21 de maio, a artista brasileira radicada em San Francisco desde 2009 apresenta na galeria Choque Cultural uma série de 35 pinturas, desenhos e ilustrações que misturam referências de um universo pop muito particular, moduladas todas pela frequência das dores de amor — ou do “pós-romance”, como ela prefere.

Os trabalhos misturam imagens, inscrições, intervenções sobre fotos, com um traço que remete aos personagens lisérgicos de Kenny Scharf (vide as capas do B 52’s) e de Pat Sullivan (criador do Gato Félix), só que mais nervosos. Todos com expressões exaltadas, coelhos, ursos, cachorros e gatos dividem espaço com caras anônimas e astros do panteão de Pacolli.

“Esta exposição tem três grandes inspirações: Stephin Merrit, Frankie Lymon e Ronnie Spector”, ela conta. Parênteses: Merrit é o líder-fundador do grupo indie americano Magnetic Fields, Lymon foi um cantor-mirim dos anos 50, e Ronnie fez parte, nos anos 60, do grupo vocal feminino The Ronettes. Posto assim, não parece haver muito em comum entre esses nomes, afora o fato de serem músicos. Mas aí é que surge o trabalho de Pacolli, que aproxima esses artistas pelo que eles têm de mais urgente em suas falas de amor.

Ronnie Spector, por exemplo, alega ter sido iludida e afastada da vida pública pelo marido, o controverso produtor Phil Spector (condenado à prisão em 2009 pelo assassinato da atriz Lana Clarkson). A cantora foi retratada por Pacolli, no auge da carreira, abraçada a suas companheiras de Ronettes e Spector, antes do casamento. Mas Pacolli deu-lhe uma expressão ligeiramente aterrorizada, como se ela já soubesse o que o futuro lhe tinha reservado. “Tentei ficar amiga dela no Twitter, mas ainda não recebi resposta”, conta Pacolli. “Queria fazer uma capa de disco para ela”, brinca.

  • Reprodução

    Capa de álbum do cantor Frankie Lymon, uma das inspirações de Pacolli na exposição 

Lymon ganhou um retrato com moldura dourada, posto sobre um coração flechado pintado na parede. “Aos 8 anos ele compôs ‘Why Do Fools Fall in Love’ (‘por que os tolos se apaixonam’). Aos 9, ele cantava ‘I’m not a Juvenile Delinquent’ (‘não sou um delinquente juvenil’). Aos 25, já estava decadente e morreu de overdose de heroína”, conta Pacolli. Talvez por isso, no retrato, o sorriso rosado do cantor guarde um travo de exasperação.

Todas as paredes da sala foram decoradas pela artista com dizeres e grafismos que acolhem as obras e dialogam com as letras, títulos de músicas, aforismos ditos por amigos e frases feitas que aparecem nos quadros, junto a imagens ou sozinhas. E no terreno das frases, Merrit é soberano, citado nos vários versos do Magnetic Fields que aparecem na exposição.

A profusão geral de dizeres cria uma espécie da enciclopédia pop da ironia amorosa. “São músicas de que eu gosto, frases que eu ouço por aí”, ela resume. “Tipo esta”, e aponta um verso dos Modern Lovers: “I wanna talk about love & sex & starving hearts or just shut up” (“quero falar de amor & sexo & corações famintos ou então cala a boca”). Pergunto se este seria um bom  jeito de resumir a exposição. “Totalmente”, ela concorda.

Sobre a artista

A artista plástica e ilustradora paulistana Pacolli vive e trabalha em San Francisco desde 2009, e algumas de suas obras são produzidas em parceria com o marido, Mildred. A artista organizou em 2010 uma exposição de artistas brasileiros na cidade americana, na galeria Needles & Pens. Para o segundo semestre deste ano, Pacolli prepara uma exposição de artistas de San Francisco em São Paulo, na galeria Choque Cultural.

Para saber mais sobre a artista, visite o blog e também "High in the Bay", galeria online com curadoria de Pacolli.


PACOLLI NA GALERIA CHOQUE CULTURAL
Quando: Até 21 de maio
Onde: Galeria Choque Cultural (rua João Moura, 997. Tel.: 0/xx/11 3061-4051)
Quanto: entrada gratuita

A exposição faz parte da "Coletiva Choque 2011", que conta também com a participação dos artistas Cesar Profeta com o grupo Base-V, Pingarilho, Fefe Talavera e SHN.

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