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Com itinerâncias e olhar latino-americano, 2011 terá bienais renovadas

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Damien Hirst ao lado da obra "The Incredible Journey", constituída por uma zebra conservada em formol (08/09/2008); trabalhos de Hirst serão exibidos em 2011 no Pavilhão da Bienal, em SP Imagem: Getty Images

MARIO GIOIA<br>Colaboração para o UOL

21/01/2011 13h50

O ano "visual" de 2011 se aproveita do bom momento da arte brasileira e terá novidades, ao menos no que se refere às bienais. A principal delas é a utilização contínua do Pavilhão da Bienal, sede da Bienal de São Paulo, em um ano em que não ocorre a tradicional exposição. O edifício de 30 mil metros quadrados, desenhado por Oscar Niemeyer, receberá um recorte da coleção do museu Astrup Fearnley, de Oslo, na Noruega. Entre os artistas que terão trabalhos expostos, há alguns "popstars" da cena contemporânea internacional, como Damien Hirst, Jeff Koons e Matthew Barney.

"Todo o processo da Bienal vai ser um pouco alargado", afirma o presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins, reeleito em dezembro para um segundo mandato à frente da instituição. "A mostra terá artistas-ícones contemporâneos que foram pouco vistos no Brasil."

Outra novidade relacionada à Bienal de São Paulo é que a fundação também levará para 11 cidades partes da 29ª Bienal. O Palácio das Artes e o Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, em Belo Horizonte, foram o primeiro destino dessa itinerância da mostra, que começou no último dia 18 e segue até 20 de março na cidade. Antes de seu encerramento, porém, no dia 28 de fevereiro, o MAM carioca recebe também outro recorte da Bienal paulistana.

A 30ª edição da Bienal de São Paulo, que ocorre em 2012, e a exposição do museu norueguês também irão percorrer o país. Entre o final do mês e o começo de fevereiro, será anunciado o nome do curador-chefe da 30ª Bienal, que deve ser estrangeiro.
 
Olhar latino-americano
 
A Bienal do Mercosul, que vai para a sua 8ª edição e fica em cartaz em Porto Alegre de setembro a novembro, também ganhou uma nova estratégia de comunicação. Os curadores criaram um blog (www.bienalmercosul.art.br/blog) para compartilhar o processo de realização do evento.
  • Detalhe de obra "8 Sobrevivientes (8 Survivors)", do artista chileno Eugenio Dittborn que integra coleção do MoMa, em Nova York; artista é o primeiro confirmado da Bienal do Mercosul

"A ideia é manter um contato próximo com os interessados na Bienal do Mercosul. Cada um dos curadores aos poucos irá desenvolver um diálogo com o público. O blog é um modo de compartilhar o processo de desenvolvimento do projeto curatorial", diz o paulistano Cauê Alves, um dos curadores-adjuntos, que também será o curador do Panorama da Arte Brasileira no MAM-SP, marcado para ocorrer no segundo semestre.
 
O evento gaúcho tem o nome de "Ensaios de Geopoética" e se espalhará pelos armazéns do cais do porto da capital gaúcha, além de espaços como o Santander Cultural e o Margs (Museu de Arte do Rio Grande do Sul).
 
Além de Roca e Alves, compõem a equipe curatorial a chilena Alexia Tala e a mexicana Paola Santoscoy (curadores adjuntos); a carioca radicada em Porto Alegre Fernanda Albuquerque (curadora assistente); Aracy Amaral (curadora convidada); e o mexicano Pablo Helguera (curador pedagógico).
 
O artista chileno Eugenio Dittborn terá uma homenagem especial e é o único nome confirmado. "A Bienal procura estabelecer uma relação íntima com a cidade. Não será uma Bienal que chega como um disco voador, se instala e depois de três meses vai embora. O projeto é todo voltado para o território da cidade, que será visto como algo a ser redescoberto e ativado", diz Alves.
 
Sobre o perfil da mostra, o curador-adjunto diz que a geografia da exposição tem suas singularidades. "A Bienal do Mercosul é uma Bienal particular porque leva em seu nome um tratado de comércio e não uma cidade como geralmente acontece com outras Bienais pelo mundo. Tendo em vista essa singularidade, ela irá investigar a própria ideia de nação e as diversos modos que a arte recorre para definir o território. O território, além de tema, é uma estratégia de trabalho. Estamos fazendo viagens de pesquisa no próprio Estado do Rio Grande do Sul."
 
No exterior
  • Moacyr Lopes Junior / Folhapress

    Obra do artista Artur Barrio exposta na 29ª Bienal de Artes de São Paulo (09/11/2010); o trabalho de Barrio estará este ano no pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza

A principal exposição de grande porte no exterior é a 54ª Bienal de Veneza, que terá à frente a suíça Bice Curiger, diretora da Kunsthaus de Zurique e colaboradora da revista "Parkett", uma das mais influentes no cenário internacional.
 
Intitulada "ILUMInação", a mostra irá lidar com os conceitos de luz e de nação contidos na palavra-tema. Ainda não foram confirmados os artistas da seção principal da mostra, que abrirá para o público em 4 de junho e seguirá até 27 de novembro.
 
A representação brasileira selecionou o português radicado no Rio Artur Barrio, que esteve na 29ª Bienal de São Paulo, para seu pavilhão. Curiger esteve no Brasil em setembro e deve anunciar outros nomes de artistas brasileiros para a exposição. Países periféricos no mundo da arte, como Malásia e Ruanda, terão pela primeira vez representações nacionais.

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