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Macaco inflável de 14 metros "visita" parque de SP

Thiago Bernardes / UOL
"Fat Monkey", do artista holandês Florentjin Hofman, leva seis mil pares de chinelos (14/10/2010) Imagem: Thiago Bernardes / UOL

GABRIELA ALBUQUERQUE
Da Redação

15/10/2010 08h32

Quem passar pelo parque Mário Covas nesta sexta-feira (15), em São Paulo (SP), vai se deparar com a figura de um macaco inflável de 14 metros de comprimento e que, sentado, ficará a sete metros do chão. Além do tamanho, a escultura será totalmente coberta por 6.000 pares de chinelos em tons de verde, azul e vermelho.

A obra "Fat Monkey", preparada desde terça-feira (12), é criação do interventor urbano holandês Florentjin Hofman, que está no Brasil para participar como palestrante do Pixel Show, evento internacional de design que acontece durante os dias 16 e 17 de outubro na capital paulista. O tema da palestra, “Size Does Matter” ("Tamanho Importa", em tradução livre), deixa claro o perfil do trabalho de Hofman: intervenções e instalações em grande escala.

Há alguma razão para criar um macaco para o Brasil? “Sim. A figura de um macaco tem tudo a ver com o Brasil, especialmente em uma cidade como São Paulo, onde o ritmo alucinante faz com que você sempre precise pular para o próximo 'galho', e precise cuidar de sim mesmo. O macaco se conecta com o local também porque, para sobreviver, você precisa ser bem humorado e fazer rir”, explicou o artista à reportagem do UOL.

Work in progress
Enquanto Florentjin Hofman falava ao UOL sobre o trabalho que desenvolve, um grupo de cerca de dez pessoas trabalhava em cima da estrutura ainda vazia, esticada no chão. Para quem passava pelo local, parecia apenas um enorme pedaço de tecido coberto por chinelos amarrados uns aos outros. E esse "work in progress" também faz parte da obra de Hofman.

  • Reprodução/www.florentijnhofman.nl

    Duas ações de Florentjin Hofman: "Yellow Street" ('Rua Amarela') coloriu de amarelo uma rua da cidade holandesa de Schiedam, em 2003 (esq.) e "Musk Rat" ('Rato Almiscarado') aconteceu em Nieuwerkerk aan den Ijssel, também na Holanda, em 2004

Além de fazer intervenções em grande escala, as ações do artista são feitas em etapas, progressivamente. Para ele, “esse tipo de trabalho faz com que as pessoas saiam um pouco da rotina, parem, conversem, interajam umas com as outras. Quem sabe, alguns podem acabar andando algumas quadras a mais para ver de perto aquilo de que ouviram falar no trabalho, em casa”. Nesse processo, ele pontua que, de repente, o trabalho começa a "acontecer" na cidade, a fazer parte da história diária dela. “A minha proposta é que as pessoas queiram ver o que se passa”, diz.

Seis mil pares

Para criar esta intervenção, Hofman conta que pensou sob o seguinte aspecto: “o que posso fazer que fique pronto em uma semana, que seja grande, que possa ser feito com o orçamento oferecido e que se conecte com a palestra que farei no Pixel Show?”. Foi então que surgiu a ideia de fazer a estrutura inflável do macaco coberta de chinelos. Em diversos tons de verde, vermelho e azul, os 12 mil pés de calçados simbolizam pixels na estrutura.

A ideia foi também contrapor um objeto que carrega uma simbologia de descanso e relaxamento, como um chinelo casual, a um ícone como o pixel, que mostra que, no dia a dia das grandes cidades e no modo de vida moderno, tudo é tão rápido que se tem a sensação de que não se pode perder um detalhe de nada ao redor. “Estamos o tempo todo tirando fotos, fazendo vídeos, usando o celular, o iPhone. E esses chinelos simbolizam um modo de vida mais relaxado, sossegado”, explica.

Caixa muito maior
Florentjin Hofman começou a criar suas enormes instalações e intervenções na Holanda, onde nasceu. “A grande diferença em comprar um ingresso para um museu e apreciar a arte em espaços públicos é que estes pertencem a todos nós”, esclarece. “Em um parque como esse [Mário Covas] é bom fazer coisas às quais as pessoas possam reagir. Não necessariamente de maneira simplista, com uma escultura simples, mas com trabalho claro que todas as camadas da sociedade possam entender, possam se relacionar", comenta.

  • Reprodução/www.florentijnhofman.nl

    Na primeira vez que visitou São Paulo (SP), em 2008, Hofman colocou um pato amarelo de borracha de 12 metros de altura no lago do Sesc Interlagos, na região sul da cidade. A intervenção se chama “Rubber Duck” e passou por Osaka (Japão), em 2009 (foto)


E esclarece: “Não acho que a arte dentro dos museus é errada. Mas lá está fechada dentro de uma caixa. Aqui fora, vamos dizer assim, está em uma caixa muito maior”, ri, ao fazer a comparação.


"FAT MONKEY", POR FLORENTJIN HOFMAN
Quando:
até 17 de outubro (domingo), das 6h às 22h
Onde:
parque Mario Covas (avenida Paulista, 1.853, São Paulo)
Quanto:
grátis
Informações:
0/xx/11/3289-2160

PIXEL SHOW
Quando: 16 e 17 de outubro de 2010. Sábado, das 10h às 20h, e domingo, das 9h às 20h
Onde: Fecomercio (r. Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo)
Quanto:
grátis (reservas para as palestras estão esgotadas)
Informações:
0/xx/11/3926-0174/5084-9040 e site da Pixel Show.

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