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Bienal de SP confirma 148 artistas e quer olhar mais amplo para a política

MARIO GIOIA
Colaboração para o UOL

01/06/2010 18h50

A 29ª Bienal de São Paulo confirmou, em entrevista coletiva realizada nesta terça (1º), os 148 artistas (veja aqui a lista) participantes da principal exposição de artes visuais em âmbito nacional e uma das principais bienais do mundo. O evento tem abertura para convidados em 21 de setembro e é inaugurado para o público em 25 de setembro, seguindo até 12 de dezembro. Uma novidade é que o Pavilhão da Bienal ficará aberto todos os dias, não sendo fechado às segundas para manutenção, como tradicionalmente acontecia.

No encontro com a imprensa, no qual apenas o angolano Fernando Alvim não participou -- ele é um dos curadores internacionais convidados, ao lado da espanhola Chus Martinez, da venezuelana Rina Carvajal, do sul-africano Sarat Maharaj e da japonesa Yuko Hasegawa -- os curadores chefes Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias destacaram o fato de a Bienal quase não ter ocorrido, em razão da crise financeira pela qual passou a instituição durante a presidência de Manoel Pires da Costa.

“É um momento especial. Há um ano atrás, não sabíamos se a Bienal era possível”, afirmou o presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins, que informou que o orçamento da 29ª edição do evento é de R$ 30 milhões -- quase quatro vezes mais que os R$ 8 milhões gastos pela exposição anterior, em 2008, com curadoria de Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, que ganhou o apelido de “Bienal do Vazio”. “Por meio de um projeto consistente e de transparência, conseguimos a adesão da sociedade”, disse Martins.

  • Moacyr Lopes Jr/ Folha Imagem

    O artista Antonio Dias, que participa desta Bienal, posa em 2005 junto a instalação sua

Apesar da avalanche de críticas que a “Bienal do Vazio” recebeu no Brasil, Farias defendeu o “esforço” de Mesquita e Cohen e disse que a própria manutenção da exposição “dignificou o legado da Bienal de São Paulo”. Mas enfatizou as diferenças em relação à mostra anterior. “A 29ª Bienal recupera a tradição do que já foi muito bem feito e não é uma exposição do modo convencional. Ela faz a celebração da arte e da política em outra chave, não literal, e é um espaço que busca o intercâmbio e as fricções”, disse ele.

Figuras menos celebradas e registros de pichação

Como exemplo, Farias informou que a curadoria descartou leituras comuns do que é político na arte brasileira, como a produção de nomes como Portinari, Di Cavalcanti e da nova figuração, “já muito vistos”. Destacou a inclusão de figuras menos celebradas da arte nacional como centrais nesta edição, como Flávio de Carvalho (“lido muitas vezes somente como um dadaísta”) e Oswaldo Goeldi (“mostra que o Brasil também é triste, soturno”). A geração de tom conceitual que surge mais fortemente no final dos anos 60 e início dos 70 é marcante na exposição, com a inclusão de nomes como Artur Barrio, Cildo Meireles, Amelia Toledo, Lygia Pape, Antonio Manuel e Antonio Dias (“O trabalho de Dias não é visto como político, mas o é, em um sentido de experimentação”).

Não tenho certeza se é arte o não, mas certamente o trabalho deles [pichadores] é político

Agnaldo Farias, curador da Bienal

Farias disse que outro dos objetivos da curadoria é gerar diálogos entre obras e artistas que não são usuais. Assim, as “Constelações” de Mira Schendel, com seus grafismos, serão colocadas próximas aos registros dos pichadores convidados para o evento -- que apenas exibirão documentação sobre suas ações, como filmes, fotografias, vídeos e slideshows (em 2008, durante a abertura da Bienal, um grupo de pichadores realizou ação coordenada e pichou as paredes do andar vazio da exposição). “Não faria sentido convidá-los para pichar e nem eles querem ser ‘cooptados’ pela instituição. Não tenho certeza se é arte ou não, mas certamente o trabalho deles é político. É uma produção potente, uma voz ruidosa e que fala com propriedade sobre alguns assuntos.”

Moacir dos Anjos, questionado pelo UOL sobre a leitura que a 29ª Bienal fará sobre Hélio Oiticica, certamente o nome mais incensado das artes visuais do país em âmbito internacional, acredita que ainda há espaço para novas leituras sobre a sua obra. “Serão dois conjuntos. Um deles terá o pensamento de Hélio sobre o que é ser herói, o que é ser marginal e seus ecos na arte de hoje. O outro recorte trará os projetos de utopia e distopia do artista, que serão vistos lado a lado de projetos do mesmo teor de agrupamentos como o Archigram [grupo de arquitetos britânicos utópicos, formado nos anos 60] e o Superstudio [grupo de arquitetos italianos utópicos, formado nos anos 60].”

Os curadores lamentaram o corte de Lygia Clark do evento, em razão de imposições, segundo eles, feitas pela associação cultural O Mundo de Lygia Clark, que detém os direitos sobre a obra da artista. “Havíamos pedido somente o ‘Caminhando’ [obra de 1963], mas nos foram feitas várias exigências, entre elas quem faria o texto sobre a artista, e não podíamos concordar com isso”, afirmou Farias.


29ª BIENAL DE SÃO PAULO
Quando: a
bertura para convidados, 21/9; abertura para o público, 25/9; de segunda a quarta, das 9h às 19h, quinta e sexta, das 9h às 22h, e sábado e domingo, das 9h às 19h; até 12/12
Onde: Pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3)

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