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"Dimensão Nerd" é a atração mais doida da Virada

Leandro Moraes/ UOL
Fãs de Star Wars encarnam personagens da saga Sci-Fi de George Lucas durante a Virada Imagem: Leandro Moraes/ UOL

MAURICIO STYCER

Crítico do UOL

16/05/2010 02h54

“E aí, nerdaiada?!”, provoca o apresentador William Ferraz, dando início à noitada no alto do palco batizado como “Dimensão Nerd”, possivelmente a atração mais doida da Virada Cultural paulistana. Na plateia, entre fantasiados e à paisana, os fãs de desenhos animados e mangás japoneses formam a maioria. Infiltrados entre eles, também há fiéis de diferentes igrejinhas da indústria do entretenimento, como fãs de “Star Wars”, de “Harry Potter”, da saga “Crepúsculo”, de “O Senhor dos Anéis” e de “Batman”, entre muitos outras.

Esta “geléia geral” celebra a paixão adolescente pela cultura pop e, em especial, pelo cosplay – ou seja, pela representação realista de personagens deste universo. “Não se trata apenas de ficar igual ao personagem, mas de incorporar a sua personalidade”, explica Ana Paula Pereira , 22, “cosplayer” desde os 12, quando se transformou numa bruxinha vermelha do desenho “Mahou Tsukai Tai”. Hoje, vive Alice, uma das vampiras da família Cullen, da saga “Crepúsculo”. “Tenho mais de 60 personagens no currículo”, diz Ana Paula.

Instalada na praça Roosevelt, a Dimensão Nerd levou os fãs de desenhos animados japoneses a loucura quando a banda J~Squad subiu ao palco. Formada por nikkeis, toca basicamente músicas da trilha sonora de animes "made in Japan" – clássicos das trilhas de “Death Note”, “Chobits”, “Fullmetal Alchemist” ou mesmo “Digimon”.

Na plateia, meninos e meninas de todas as idades. A começar por Fernanda Maia, de 12 anos, fantasiada como uma personagem de “Sakura Card Captors”. “Sou a menina que abre um livro mágico, espalhando um monte de cartas. Ela tem que recuperar as cartas”, explica, segurando uma pelúcia, tal qual a personagem.

Três adolescentes cantam animadamente uma música em japonês. “É da quarta temporada de ‘Naruto’, mas só tem na Internet”, explica Alexandre de Freitas, 16. Peço a eles que expliquem o que quer dizer “nerd”: “É uma pessoa que tem gosto diferente”, começa Henrique Maringoni Fini, 19. “Em vez de futebol, fala de videogames, séries de TV, e não aplicativos”, diz Bruno Antonelli, 17. “Sou nerd com orgulho”, avisa Freitas. “Sou mais otaku”, sublinha Bruno, introduzindo uma nova categoria na confusão.

No Japão, “otaku” designa os fãs obcecados por diferentes objetos culturais – uma determinada série, um filme, um personagem, um game etc. Ou seja, um “nerd”, como falamos aqui. No Brasil, porém, “otaku” designa apenas aqueles que são fãs do universo dos quadrinhos japoneses.

São 21h e o show da banda J~Squad é atrapalhado pela chegada de uma tropa de “jedis” de cinco diferentes fã-clubes paulistanos de “Star Wars”. Vestidos a caráter, como “stormtroopers” e “clones”, para não falar de alguns Darth Vader, Luke Skywalker, uma princesa Leia e alguns Obi-wan Kenobi, eles causam comoção ao chegar com seus sabres de luz.

Posam para fotos, sorriem e dão entrevistas. “Na rua, ninguém fala comigo”, diz o editor de vídeo Otavio Amadeu, carteirinha TK-9603 do fã-clube internacional “501” – um número reconhecido em qualquer das 50 filiais estrangeiras da entidade. “Quando visto a minha armadura de ‘stormtrooper’ é diferente. É gostoso”, explica. Pelo conjunto completo, Otavio investiu cerca de R$ 1,5 mil. Foi toda importada. “Tem um rapaz em Minas que faz pra gente, sai mais barato”, explica.

A “Dimensão Nerd” ocupa dois espaços na Praça Roosevelt. No alto, ao ar livre, onde está o palco, as atividades são encerradas abruptamente por volta das 23h. Abaixo, numa área que padece de goteiras intermitentes, estão instalados pequenos quiosques com diferentes opções de “nerdice”.

Fazendo menos alarde que a turma do “Star Wars”, os fãs de “Star Trek” se limitam a exibir filmes de ficção científica, de “Flash Gordon” a “Avatar”, passando por “Guerra dos Mundos” e “2001”, numa televisão colocada no ambiente. Eles integram a célebre Federação da Frota Estelar de São Paulo, também conhecida como FFESP, com mais de 2,5 mil membros e uma rígida hierarquia, que vai de cadete a almirante, passando, entre outros, por alferes, tenente e capitão.

“É mais ou menos como um quartel”, explica o almirante Cesar Augusto Cesarone, 46. “O que mais vale aqui é a amizade”, diz o capitão Claudio Cukier, 39, consultor de viagens e responsável por organizar as excursões de “trekkers” para as convenções internacionais do fã-clube.

Diante de tanta gente com paixões curiosas, há algumas que conseguem ser ainda mais peculiares. Caso da paixão de Lucas Estekue pelo clã viking Hednir. Ele tem 19 anos e venera a cultura dos guerreiros e deuses viking. Cultua uma banda finlandesa de “viking metal” chamada Turisas, treina lutas e respeita os deuses Odin, Thor e Loki. “Estamos resgatando esta cultura”, diz.

Por volta das 23h começa um corre-corre na praça Roosevelt. Pessoas fantasiadas como os bruxinhos de “Harry Potter”, os soldados de “Star Wars” e os personagens de mangás japoneses correm desesperadas. Fogem de um vazamento de gás, supostamente ocorrido num quiosque que vende yakisoba. Não sobrou nenhum super-herói na área. Mas era alarme falso.

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