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Novo museu de SP, Pavilhão das Culturas Brasileiras abre neste domingo no Ibirapuera

Patrícia Araujo/UOL
Obra da exposição "Puras Misturas", mostra que inaugura o Pavilhão das Culturas Brasileiras no parque do Ibirapuera (7/4/2010) Imagem: Patrícia Araujo/UOL

MARIO GIOIA

Colaboração para o UOL

09/04/2010 16h25

No coração do parque Ibirapuera, a partir das 11h de domingo (11), o público paulistano poderá ter acesso a um novo museu da cidade. O Pavilhão das Culturas Brasileiras, entregue com seis meses de atraso – o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, prometera a abertura para outubro passado – aposta na mescla de peças de arte popular, arte indígena e trabalhos contemporâneos para atrair o grande público que passa em especial nos finais de semana pelo espaço verde e de lazer da cidade.

“O acervo que compõe o museu estava todo disperso. Peças estavam depositadas em reservas técnicas do município e muitas não são vistas faz vários anos”, afirma a crítica de design Adélia Borges, que assina a curadoria geral de “Puras Misturas”, exposição inaugural do pavilhão, que funciona onde anteriormente estava instalada a Prodam (a companhia de processamento de dados da prefeitura). O prédio fica bem próximo ao Museu Afro, outra instituição que tem destacado foco na arte popular. Assim, o parque passa a ser um dos principais polos de cultura da cidade, já que o MAM-SP, o Pavilhão da Bienal, a Oca e, ainda neste ano, o MAC-USP, dividem o tradicional parque.

MUSEU DEVE SER COMPLETADO APENAS EM 2011

"Puras Misturas" é uma espécie de cartão de visitas do Pavilhão das Culturas Brasileiras. O prédio, projetado por Oscar Niemeyer dentro do conjunto do Ibirapuera, terá até a vigência da exposição – de domingo (11) a 12 de setembro – apenas o térreo e o subsolo utilizados.

O primeiro andar terá de ser modificado para receber mostras. De acordo com o arquiteto Pedro Mendes da Rocha, a reforma e a adequação ao novo museu está orçada em cerca de R$ 23 milhões e não devem ser entregues antes do final de 2011. "O projeto inclui auditório, elevadores, biblioteca e reserva técnica. Além disso, alterações mais urgentes terão de ser feitas, como a troca do telhado e a instalação das novas estruturas elétricas e hidráulicas", conta ele, que também assina a museografia da exposição inaugural do museu.

Tendo a exibição de 1.600 trabalhos, “Puras Misturas” já começa com um tipo de instalação interativa pouco comum: dezenas de bancos de diferentes origens, dos indígenas, que imitam formas de animais, como macacos e cutias, a objetos assinados por designers como Sergio Rodrigues e Claudia Moreira Salles. “É o resumo da pluralidade presente na mostra, vai desde peças de uma cultura antiga até diálogos com obras de nomes contemporâneos. Até incluímos um que estava no próprio pavilhão, usado pelos funcionários. E todos podem se sentar”, diz Borges.

Em outra seção da mostra, intitulada Abre-Alas, diversos brinquedos, como navios, aviões e ônibus, originários de vários Estados, são reunidos em uma grande bancada. Os artefatos “aéreos” são pendurados no teto, em uma expografia que deve agradar ao público infantil.

Ainda nesse espaço térreo, uma linha do tempo conta, em painéis e com a exibição de documentos, livros e objetos, a história da valorização do folclore, da arte popular e da indígena na cultura brasileira. Nomes como Mario de Andrade, Rossini Tavares de Lima (cuja coleção era o centro do antigo Museu do Folclore, que chegou a ser mostrada na Oca) e Darcy Ribeiro são lembrados como defensores da união entre erudito e popular. No fundo do andar, em uma parede, grandes prateleiras expõem trabalhos variados da coleção Rossini, como tambores utilizados em festas populares das regiões Norte e Nordeste, utensílios que aproveitam latas de óleo descartadas e brinquedos tradicionais em madeira e pano. Peças indígenas, algumas pertencentes a coleção do indigenista Orlando Villas-Bôas, também são vistas no módulo, que teve como curadora adjunta Cristiana Barreto, especializada na temática indígena.

No andar rebaixado, a união entre o tradicional e o contemporâneo é mais bem compreendido. Tendo como curador convidado o mineiro José Alberto Nemer, a seção Fragmentos de um Diálogo coloca lado a lado peças de diferentes épocas. Uma cadeira feita pelos celebrados irmãos Campana, constituída de dezenas de bonecas de pano populares, é vista junto de uma série de bonecas da coleção Rossini, além de uma grande boneca desenhada pelo estilista Ronaldo Fraga. Rendas tradicionais do Nordeste junto de pratos feitos pelo designer Marcelo Rosenbaum, além de 300 ex-votos de madeira, do antigo Museu do Folclore, próximos a trabalhos contemporâneos de Farnese de Andrade e Efrain Almeida, ilustram a ideia da curadoria.


PURAS MISTURAS
Quando: abertura no domingo, das 11h às 15h; de terça a domingo, das 9h às 17h (permanência até as 18h); até 12/9
Onde: Pavilhão das Culturas Brasileiras (parque Ibirapuera, portão 10, tel. 0/xx/11/5083-0199)
Quanto: entrada franca

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