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Zé Celso é indenizado em R$ 570 mil por tortura durante ditadura militar

Lenise Pinheiro/UOL
Diretor do Teatro Oficina José Celso Martinez Corrêa durante cerimônia de anistia política do período de ditadura militar (07/04/2010) Imagem: Lenise Pinheiro/UOL

Da Redação

07/04/2010 20h19

O diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa recebeu na tarde desta quarta-feira (7) indenização e perdão do Estado em anistia política sobre perseguição do período de ditadura militar. O valor da indenização ficou fixado em R$ 570 mil e o diretor passa a ter direito a vencimentos mensais vitalícios de cerca de R$ 5 mil. A anistia foi concedida em cerimônia ocorrida no Teatro Oficina (região central de São Paulo).

Aberto ao público e gratuito, o ato simbólico fez parte das "Caravanas da Anistia", sessões públicas itinerantes de apreciação de requerimentos de anistia política, promovidas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Trata-se de uma política pública de educação em direitos humanos, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a memória política brasileira, em especial do período da ditadura militar.

Após a sessão oficial de julgamento foi feita apresentação do espetáculo “O Banquete”, baseado no diálogo escrito por Platão

Histórico
José Celso Martinez Corrêa foi abordado por agentes da ditadura militar no dia 22 de maio de 1974. Ele foi encapuzado e levado ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na capital paulista, onde passaria quase um mês. Durante sua prisão, sofreu tortura e ficou confinado em uma solitária. A motivação da prisão, no entanto, nunca foi revelada.

O diretor foi solto em 17 de junho de 1974 e permaneceu em liberdade condicional, tendo de se apresentar semanalmente ao Dops. Sem nenhuma condição de trabalho no Brasil, a Comunidade Oficina Samba - o antigo grupo Oficina - se organizou ao longo daquele ano e, a partir de setembro, partiu para Portugal.

O exílio durou aproximadamente cinco anos e o grupo trabalhou com teatro e cinema em Lisboa, Moçambique, Paris e Londres. A partir de 1979, Zé Celso e os artistas do Oficina voltaram ao país e iniciaram um movimento de renovação do grupo.

Outros indenizados
Além de José Celso, outros artistas brasileiros também foram beneficiados pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em especial os fundadores do semanário “O Pasquim”, em 1969. Os cartunistas Jaguar (Sérgio Jaguaribe) e Ziraldo receberam, respectivamente, R$ 1.027.383,29 e R$ 1.000.253,24, além do direito a vencimentos mensais até a morte de R$ 4.375,88.

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