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Bienal do Livro do Ceará destaca literatura indígena e negra na 13ª edição

17/08/2019 11h10

María Angélica Troncoso.

Fortaleza, 17 ago (EFE). As narrativas indígenas e as tradições ancestrais da cultura negra se sobressaem na 13ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, onde desde este fim de semana até o dia 26 de agosto serão debatidas as novas tendências da literatura.

Com mais 60 convidados nacionais e internacionais, esta edição também aborda a relação entre as cidades e os livros, e dará atenção especial aos índios, que atravessam um momento de tensão no governo do presidente Jair Bolsonaro por conta da proteção de terras na Amazônia.

De acordo com números do governo estadual, no Ceará há 14 povos indígenas distribuídos em 18 municípios que continuam trabalhando na defesa da identidade e das tradições culturais.

"As tribos que estavam aqui foram massacradas e inclusive chegaram a ser declaradas extintas no século XIX, mas não estão. Elas continuam existindo e houve toda uma luta recente de ressurgimento dessas tribos indígenas", explicou à Agência Efe a escritora e poeta Ana Miranda, uma das curadoras da Bienal.

Os problemas vividos pelos indígenas em relação às suas terras, das quais muitas vezes são expulsos para a chegada da "modernidade", se assemelham às migrações de centenas de cidadãos do mundo que precisam deixar o lar devido a guerras que os afastam de suas raízes.

O evento contará com a presença de líderes e escritores indígenas brasileiros como Daniel Munduruku, Davi Kopenawa Yanomami e Ailton Krenak, que narraram a história dos seus povos e lutam ativamente por direitos.

Também estarão na Bienal autores como o angolano José Eduardo Agualusa, jornalista e escritor que relatou em suas obras os estragos da violência em seu país, e a poeta e ativista dos direitos humana cabo-verdiana Vera Duarte.

As oralidades, tradições e narrativas afro-brasileiras também também terão um espaço relevante na feira literária. Nesse âmbito se destaca a escritora Conceição Evaristo, de 72 anos, que em 2015 ganhou o prêmio Jabuti por "Olhos D'água".

Além da narrativa indígena e da cultura negra, a Bienal permeará a relação entre os livros e a cidade.

"A cidade é a nossa realidade, e não falo só da metrópole. Falo da cidade grande, da cidade média, da cidade pequena e da cidade do índio, que é uma aldeia no meio de mandiocas", explicou Duarte.

A feira também será espaço para discutir temas sobre a mulher, a juventude, a infância, a academia e o patrimônio. EFE

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