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Rio recebe exposição fotográfica que retrata a vida dos Yanomamis

19/07/2019 10h50

Sandra Carnota Mallón.

Rio de Janeiro, 19 jul (EFE).- A exposição fotográfica "A Luta Yanomami", da fotógrafa e ativista suíço-brasileira Claudia Andujar, chega ao Rio de Janeiro como um relato artístico que assume o papel de defesa dos povos indígenas do Brasil.

A mostra é uma imersão na vida dos Yanomami, indígenas que vivem em comunidades localizadas na fronteira do Brasil com a Venezuela, e as imagens refletem a floresta, as paisagens dos povoados, retratos dos indivíduos e até representações de rituais funerários e xamânicos.

O instituto Moreira Salles recebe a exposição, que, após passar por São Paulo, ficará três meses em cartaz no Rio de Janeiro antes de viajar para a Europa.

Claudia Andujar conviveu durante quase uma década com os Yanomani e, durante a ditadura militar, quando o governo impulsionou obras de infraestrutura na Amazônia que puseram em perigo os povos indígenas, a fotógrafa assumiu o papel de ativista e começou a denunciar as ações do regime e desenvolveu programas de saúde e educação na região.

O curador da exposição, Thyago Nogueira, explicou à Agência Efe que a ideia é "reconectar as duas dimensões da carreira de Claudia, a artística e a política".

A exposição é fruto de um trabalho de pesquisa no arquivo da fotógrafa e o resultado é a exibição de uma série de fotografias que pretende levar a questão indígena e a complexidade e diversidade do Brasil à sociedade em um momento delicado, no qual estes assuntos estão de novo no debate político.

Uma das primeiras medidas do presidente Jair Bolsonaro foi transferir as funções de delimitar e criar novas reservas indígenas ao Ministério da Agricultura, uma decisão que gerou críticas de vários setores da sociedade brasileira e preocupação entre ONGs e entidades que atuam em defesa dos direitos indígenas.

Embora o projeto da exposição tenha nascido com a ideia de homenagear a trajetória de Claudia e começado a ser pensado há anos, a mudança política do Brasil provocou uma "rediscussão das questões indígenas", por isso a mostra assume um caráter ativista, explicou Nogueira.

"Jamais imaginamos que após as eleições do ano passado tivéssemos que rediscutir todas essas questões de novo, que fôssemos ver o mesmo nível de ignorância e preconceito com os povos indígenas que na época da ditadura", afirmou o curador da exposição.

"A luta Yanomami" tem duas partes, uma primeira artística, que responde a um projeto estético de representação de uma cultura e uma segunda parte de denúncia e ativismo na qual as fotografias são uma ferramenta na luta contra a ditadura militar da época.

"Desta exposição sai uma Claudia artista, humana e complexa, vinculada a princípios éticos pelos quais é capaz de guiar sua vida", acrescentou Nogueira.

Como o curador concluiu que não podia ignorar que a história do ativismo e da defesa dos direitos indígenas tinha ganhado um novo capítulo com a chegada de Bolsonaro ao poder, incluiu na mostra referências ao presidente e um vídeo que ilustra algumas de suas declarações polêmicas sobre os povos indígenas.

A inauguração da exposição neste sábado terá a participação da fotógrafa e do líder indígena Davi Kopenawa Yanomam.

Em novembro, a mostra viajará para a Fundação Cartier de Arte Contemporânea em Paris. EFE

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