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Cartas inéditas dão nova perspectiva à 1ª viagem de Cristóvão Colombo

2019-06-24T10:01:00

24/06/2019 10h01

Miriam Serradilla Martín.

Toledo (Espanha), 24 jun (EFE).- Duas cartas inéditas do rei João II, de Portugal, ao rei Fernando II de Aragão, da Espanha, encontradas em um arquivo de Toledo dão nova perspectiva à primeira viagem de Cristóvão Colombo e mostram suas consequências geopolíticas: como Portugal e Espanha dividiram o "Novo Mundo".

As cartas, enviadas em maio de 1493 e escritas em português, são de caráter diplomático e podem ser consideradas como o início da diplomacia moderna entre esses dois países, com grandes consequências para a futura história da América.

Os textos foram achados no Arquivo Histórico da Nobreza de Toledo, um centro especializado em coleta e conservação de documentos das antigas casas aristocráticas espanholas a cerca de 70 km de Madri.

De acordo com a diretora do espaço, Aránzazu Lafuente, os materiais são originais e inéditos.

Na primeira carta, com data de 3 de maio de 1493, João II informa a Fernando "sobre la venyda del almyrante de las Yndias"- como ele diz em espanhol - após a chegada de Colombo a Lisboa.

Depois de ter alcançado as Antilhas, em outubro em 1492, em sua primeira viagem ao continente americano, Colombo, a bordo da caravela Niña, atracou em Lisboa forçado por uma tempestade.

A carta, então, é o primeiro documento oficial que diz que Colombo retornou "com sucesso" da viagem às Índias e, nela, o rei João II afirma que enviará um embaixador à Corte de Barcelona.

"Muito alto e muito excelente poderoso príncipe irmão (...) chegou aqui, com fortuna de mar, ao nosso porto da cidade de Lisboa, dom Cristóvão, o seu almirante, que folgamos muito em ver e mandar tratar bem por ser coisa vostra", leu Lafuente.

O outro documento, datado de 23 de maio do mesmo ano, se refere à continuidade da relação e nele se fala da chegada de um embaixador do reino de Castela a Lisboa. Nele, o rei português também fala sobre ser preciso "limitar mares, ilhas e terras de vocês e nossos", segundo a diretora do arquivo.

Naquela época, os navegantes portugueses tinham feito grandes expedições pela África (como a primeira passagem pelo Cabo da Boa Esperança) e chegariam em 1498 à Índia.

A carta é o primeiro esboço do que um ano depois seria o Tratado de Tordesilhas (1494). Nesse Tratado, Espanha e Portugal aceitaram dividir as áreas "descobertas e por descobrir" na África e na América com o objetivo de evitar futuros conflitos.

O tratado resultou no controle português do que hoje é o Brasil, enquanto o resto da América ficava para a Espanha, que, por sua vez, liberava o que se conhecia da África.

Depois de serem encontradas e identificadas, as cartas foram apresentadas em um ato comemorativo pelos 525 anos da assinatura do Tratado de Tordesilhas, um evento que aconteceu no início deste mês em Toledo.

Segundo Lafuente, qualquer informação sobre Colombo é "muito especial", porque tudo o que existe sobre sua história e a chegada à América é "muito parcial e residual", e qualquer documentação que apareça é considerada "uma grande descoberta" que pode fornecer pistas sobre aspectos desconhecidos.

As cartas estavam no arquivo dos condes de Villagonzalo, entre os documentos de Rodrigo Arias Maldonado, especialista em leis e membro do Conselho Real de Castela. A diretora destacou que, segundo historiadores, "não havia assunto jurídico importante que não passasse pelas mãos de Maldonado". EFE

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