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Washington não pode - e nem quer - esquecer Jacqueline Kennedy

2019-05-19T10:03:00

19/05/2019 10h03

Javier Romualdo.

Washington, 19 mai (EFE).- Jacqueline Kennedy (1929-1994) foi um dos símbolos dos Estados Unidos, uma figura emblemática na história do século XX, mas também uma destacada moradora de Washington, a capital do poder que não esquece sua passagem e a de seu marido pela cidade, justamente quando se completam 25 anos da sua morte.

Os poucos moradores que são nativos de Washington, os verdadeiros washingtonianos que viveram nesta agitada metrópole de idas e vindas, lembram os anos nos quais os Kennedy fizeram das ruas cheias de escritórios, medidas de segurança e gente bem vestida um centro do glamour, desfrute da vida e Meca de "bon vivants".

Um desses 'points' continua atraindo visitas todos os dias, o Martin's Tavern, restaurante onde o presidente John F. Kennedy (1961-1963) pediu Jacqueline em casamento durante um jantar no dia 24 de junho de 1953.

Ela trabalhava na época como jornalista para um jornal de Washington e acabava de chegar de cobrir a coroação da rainha da Inglaterra, Elizabeth II.

A taverna, aberta em 1933 logo depois do fim da "lei seca", era o local favorito de John, que morava a algumas quadras dele quando ainda era congressista.

Hoje, mais de 50 anos depois desse jantar, milhares de turistas chegam todo ano para se sentar à mesa onde os namorados assumiram compromisso de casar.

Com bancos de madeira e lâmpadas de vidro, o tempo congelou neste local, que exibe com placas e fotografias o fato de ter sido o cenário no qual começou um dos casamentos que mais inspirou os EUA.

"Muitos casais vêm aqui para pedidos de casamento. Telefonam para reservar e já dizem que pedirão em casamento. Às vezes pedem por um jantar romântico às 19h e eu lhes digo que não podem a essa hora porque já está reservada para outro casal", contou à Agência Efe Chrissy, uma das gerentes do local.

Nesse cantinho jantaram várias gerações dos Kennedy: sua filha Caroline, em 2009 e 2010; e seu neto Jack, em 2016.

"Estamos esperando a quarta geração", comentou Chrissy, mostrando o estabelecimento com orgulho, e que retém na memória todas as datas com precisão.

Duas mesas à direita está o canto no qual John se sentava quando ia sozinho à taverna, todos os domingos; uma rotina que repetiu para escrever seu discurso de posse como novo presidente.

Na mesma rua do bairro de Georgetown, a N, viveram Jacqueline e John durante a campanha presidencial, no número 3307.

A casa, vitoriana, mas com certo tom afrancesado, é uma boa amostra do estilo europeu e gosto impecável que foi associado à Jacqueline, formada em literatura francesa pela Universidade de George Washington.

Os apaixonados, ou simplesmente curiosos, pelos Kennedy percorrem em um tour as propriedades que ocuparam em Washington, além da Casa Branca.

O turista que fotografa a porta de uma das suas casas se dirige depois à igreja Holy Trinity, a mais antiga de toda Washington e a qual o casal frequentava.

Uma placa "in memoriam", situada na entrada, lembra a todos os fiéis que aquele foi o local no qual John assistiu à missa pela última vez na capital antes de seu trágico assassinato.

Com a morte de seu marido, a vida de Jacqueline mudou.

A casa que a viúva ocupou fica a somente alguns metros da primeira na qual o casal morou, na mesma rua N de Georgetown: Uma mansão de tijolos construída nos tempos da revolução, em 1794.

Jacqueline viveu ali somente um ano. Por segurança, o governo americano pediu que ela deixasse a casa e se mudou para Nova York.

A mansão há pouco tempo estava à venda por cerca de US$ 9 milhões. É considerada, além disso, um símbolo nacional pelo "seu significado, por celebrar a história dos Estados Unidos", segundo se pode ler em uma discreta placa para os turistas.

"Aqui chegam muitos curiosos, param para fazer fotos...", comentou um jardineiro que poda arbustos em frente à casa.

Outro lugar em frente do qual os visitantes param é o túmulo de Jacqueline, junto de seu marido, em um dos espaços mais destacados do Cemitério Nacional de Arlington.

Uma chama eterna presta homenagem a uma personalidade que continua inspirando artistas, moradores e viajantes e que nem Washington, nem os EUA, nem provavelmente o resto do mundo quer esquecer. EFE

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