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Cabul desmente livro e nega que mulá Omar viveu perto de base dos EUA

11/03/2019 12h35

Cabul, 11 mar (EFE).- O Governo afegão rejeitou nesta segunda-feira a informação contida no livro da jornalista holandesa Bette Dam "Searching for an enemy" (Procurando por um inimigo), que aponta que o mulá Omar viveu durante anos perto de duas bases dos Estados Unidos no Afeganistão.

"Rejeitamos energicamente esta afirmação delirante e a vemos como um esforço para criar e construir uma identidade para os talibãs e seus promotores estrangeiros. Temos provas suficientes que mostram que ele viveu e morreu no Paquistão. Ponto!", disse em sua conta do Twitter Haroon Chakhansuri, porta-voz do presidente afegão, Ashraf Ghani.

No livro, escrito depois de uma investigação de cinco anos, Dam revela que o líder insurgente viveu a poucos metros da base FOB Lagman, que os americanos construíram em 2004 em Zabul (sudeste), e posteriormente perto da base FOB Wolverine, na mesma província.

Embora Omar fosse apontado como o líder absoluto dos talibãs no Afeganistão, na realidade em 2001 (com a invasão americana) delegou a seus colaboradores sobre como proceder e começou a levar uma vida reclusa até sua morte em Zabul em 2013, ajudado por Jabbar Omari, ex-governador sob regime talibã, explica a autora do biografia.

Outro porta-voz do presidente afegão, Arif Samim, qualificou de fato "consolidado" que o mulá Omar vivia no Paquistão e que morreu em um hospital do sul desse país, na cidade de Karachi.

"O Governo afegão tem provas a este respeito, mas esta informação de inteligência não pode ser compartilhada com o público", sentenciou em declarações à Agência Efe.

Samim insistiu que o Executivo de Cabul entregou em diversas ocasiões à ONU e ao Conselho de Segurança provas da presença de líderes talibãs no Paquistão e considerou que é de "conhecimento geral" a presença neste local da facção talibã conhecida como rede Haqqani e da direção talibã ou Conselho de Quetta.

Por sua vez, o grupo insurgente reafirmou hoje sua versão de que Omar nunca deixou o país, que já manteve quando reconheceu sua morte por doença em 2015.

"O morto líder do Emirado Islâmico do Afeganistão (como denominam os talibãs ao seu "Estado"), Amirul Momineen (Príncipe dos Crentes) mulá Omar Mujahid, passou toda a vida no Afeganistão e nunca visitou o Paquistão e nem outro país por um só dia", afirmou no Twitter um porta-voz dos talibãs, Zabiullah Mujahid. EFE