PUBLICIDADE
Topo

Van Damme: "Em um filme não se deve atuar, é preciso contar a verdade"

Antonio Martín Guirado

De Los Angeles (EUA)

27/02/2019 15h27

Um dos rostos mais emblemáticos dos filmes de ação nas últimas três décadas, Jean-Claude Van Damme hoje diz que, conforme passam os anos, tem preferido as histórias mais próximas à realidade do mundo: "Em um filme não se deve atuar, é preciso contar a verdade", revelou em entrevista à agência Efe.

Van Damme foi uma das maiores estrelas dos anos 90 graças a filmes como "Duplo Impacto", "Soldado Universal", "O Alvo", "O Guardião do Tempo", "Street Fighter: A Última Batalha" e "Morte Súbita", mas tem se mantido longe dos holofotes de Hollywood e mais focado em projetos com um significado pessoal.

Essa nova fase do ator já é vista em obras como "JCVD", a série "Jean-Claude Van Johnson" e "We Die Young" (filme com estreia prevista para 1º de março nos EUA), no qual encara um dos maiores desafios da carreira ao se colocar na pele de um veterano de guerra que perdeu a fala e sofre de estresse pós-traumático.

Em "We Die Young", de Lior Gellar, Van Damme dá um giro dramático na carreira com esta história que se passa em Washington, capital dos EUA, onde ele tenta ajudar duas crianças imigrantes ilegais a se vingarem de um violento narcotraficante da gangue MS-13 (Mara Salvatrucha).

"Não é um filme ação. Fala sobre a vida de pessoas nessa situação na nossa sociedade atualmente. Eu me coloquei nas mãos do diretor, que conhecia muito bem essa realidade, e acho que fizemos um trabalho precioso. Estou apaixonado pelo filme", disse o ator entre risos.

"Conheci muitos veteranos que passaram por circunstâncias similares muito difíceis e que agora sobrevivem em um contexto de violência e drogas. É difícil encarar essa nova realidade para eles", disse o artista, orgulhoso de ter trabalhado neste filme de baixo orçamento, gravado com menos de US$ 1 milhão.

O ator Jean-Claude Van Damme em cena de "We Die Young"  - Reprodução - Reprodução
O ator Jean-Claude Van Damme em cena de "We Die Young"
Imagem: Reprodução

O próprio Van Damme teve que lutar contra o transtorno bipolar e a depressão, especialmente em meados dos anos 90, no auge da carreira, quando se divorciou de Darcy LaPier.

"Tenho dias preciosos e dias muito sombrios, mas agora sei lidar. Sou feliz e curto da vida, mas nem sempre foi assim. Penso depressa, talvez demais, mas graças a isso consegui tudo o que quis na minha vida. Aceitei o meu problema e vim me tratando com muita meditação, não com medicação", explicou.

Aos 58 anos, Van Damme considera que as estrelas do cinema de ação atual não possuem o mesmo carisma de nomes como Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone ou ele mesmo porque se envolvem em projetos que dão mais atenção aos efeitos especiais que ao desenvolvimento dos personagens.

"Quando você faz um filme, não se deve atuar, é preciso a contar verdade. Não se trata da maquiagem, nem de brilhar com uma camada ou diamantes na orelha. Ninguém se importa com isso. Eu desfruto criando personagens, e no cinema é preciso acreditar no personagem que você interpreta", afirmou.

"Não lido com os orçamentos das grandes produções, mas as pessoas continuam gostando de mim porque tento contar a verdade. O público não é estúpido. Olho para a câmera e transmito o que esse personagem sente. Estou dentro dele. É assim que se faz um bom filme", acrescentou.