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Tecnologia "recupera" no Uruguai obras de Torres García queimadas no Brasil

29/12/2018 14h38

Montevidéu, 29 dez (EFE).- Por meio de uma tecnologia de realidade aumentada e dos telefones dos visitantes, o Museu Torres García de Montevidéu "traz ao presente" mais de 70 obras do artista uruguaio Joaquín Torres García que foram destruídas em um incêndio no Brasil há 40 anos.

O diretor do Museu Torres García, Alejandro Díaz, afirmou à Agência Efe que a ideia por trás da mostra "Tempo de olhar" - na qual o público pode transformar o código QR exibidos em quadros brancos nas obras destruídas pelo fogo usando um celular - é a de voltar a dar vida a um patrimônio artístico que se acreditava estar perdido.

Nesse sentido, Díaz indicou que a ideia da exposição surgiu após a descoberta de restos das obras queimadas em 1978 durante um incêndio no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, assim como pelo achado de uma série de fotografias.

"Nós tínhamos no arquivo do museu fotografias de obras, que também foi algo meio fortuito porque apareceram em uma limpeza de um depósito (...). E quando encontramos essas fotografias foi como ver a oportunidade de fazer algo interessante", destacou.

Díaz disse que, além disso, a mostra é derivada de um projeto de reconstrução dos sete murais que Torres García pintou no Hospital Saint Bois de Montevideo em 1944 e que foram danificados no incêndio.

"Por um lado, estamos mostrando os restos das obras destruídas, porque sobreviveram seis partes de obras que são muito impactantes. E, por outro lado, estava essa parte de como mostrar o que não sobreviveu e aí surgiu a ideia da realidade aumentada", explicou.

Neste sentido, o especialista apontou que, com o uso da tecnologia, o museu tenta "gerar uma linguagem e um discurso museográfico".

Além disso, o diretor do museu, que é bisneto do artista uruguaio, declarou que foi um "grande desafio" gerar beleza a partir de uma história "trágica" como a do incêndio no qual se perderam quase mil obras do acervo do MAM do Rio, no qual também se queimaram peças de Salvador Dalí e Vincent van Gogh.

Para Díaz, a mostra tem a ver tanto com "a memória" como com "trazer ao presente" o patrimônio perdido.

"Embora as obras estejam queimadas, restaram as imagens e ali está toda a história e toda a teoria de Torres na qual foram formuladas", ressaltou.

A mostra, que, além das obras ausentes e dos restos dos murais, exibe documentos e recortes de imprensa sobre o incêndio do MAM, continuará em exibição até março de 2019. EFE

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