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EUA exigem explicações de revista alemã que publicou reportagens inventadas

22/12/2018 15h02

Berlim, 22 dez (EFE).- O embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, Richard Grenell, exigiu que a revista "Der Spiegel" se explique após ter sido revelado que o jornalista Claas Relotius publicou reportagens e testemunhos inventados, motivo pelo qual o governo americano se considera vítima de uma "campanha proposital".

"Está claro que fomos vítimas de uma campanha impulsionada institucionalmente", afirma Grenell em carta enviada à redação da revista, divulgada neste sábado pelo jornal "Bild".

O diplomata, nomeado em maio, reagiu assim ao escândalo que surgiu nesta semana com a notícia de que Relotius, um prestigiado jornalista, tinha inventado relatos para as suas reportagens.

A própria revista admitiu as falsificações e explicou que não tinha conhecimento da situação. A revelação veio por outro jornalista, Juan Moreno, que trabalhou com Relotius.

As primeiras suspeitas contra Relotius vieram em novembro, com a publicação de uma reportagem sobre a fronteira entre EUA e México, na qual Moreno também tinha trabalhado.

Moreno teve dúvidas sobre a autenticidade dos relatos apresentados e o comunicou o fato aos superiores. A partir daí, seguiu a pista de alguns desses testemunhos, em posteriores viagens para os Estados Unidos, até que evidenciou a farsa, o que relatou à revista, em parte para se proteger, por ser coautor do material.

A diretoria da "Der Spiegel" não reagiu inicialmente ao assunto e agora, como "mea culpa", dedica a capa e a principal reportagem desta semana ao assunto, com um total de 23 páginas.

O ocorrido "preocupa enormemente os Estados Unidos", lamentou o embaixador americano, segundo o qual "algumas das reportagens" de Relotius "afetam a política e a população americana".

Na opinião de Grenell, a diretoria da "Der Spiegel" também é responsável pelo ocorrido, já que "força" os repórteres a oferecerem um determinado tipo reportagem "que a diretoria exige".

O escândalo a respeito de Relotius afeta a credibilidade não só da "Der Spiegel", revista de referência na Alemanha, mas de muitos outros veículos nos quais o mesmo autor já publicou artigos.

Relotius, que começou trabalhando na "Der Spiegel" como colaborador freelancer, escreveu cerca de 60 textos para a revista desde 2011 e em pelo menos 14 deles recorreu às manipulações das quais é acusado agora.

O jornalista atribuía a muitos personagens realmente existentes uma biografia inventada, assim como declarações que nunca tinham sido feitas. EFE

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