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Museu dos Relacionamentos Rompidos aborda amor em tempos de guerra e migração

Divulgação/Mare Milin
Museu dos Relacionamentos Rompidos aborda amor em tempos, em Zagreb, na Croácia Imagem: Divulgação/Mare Milin

Vesna Bernardic

Zagreb (Croácia)

02/12/2018 10h11

O Museu dos Relacionamentos Rompidos, que em poucos anos de funcionamento se tornou uma das principais atrações turísticas de Zagreb, na Croácia, agora mostra também os efeitos das guerras, do terrorismo e das migrações no amor.

"Durante um ano, estudamos e classificamos por temas 3.500 objetos e suas histórias. Ao final, escolhemos 100 para a nova exposição", disse Drazen Grubisic, que fundou o museu com a ex-namorada Olinka Vistica, em 2010.

Quando terminaram a relação, os dois enfrentaram o dilema de não saber o que fazer com os objetos que tinham em comum e que carregavam uma série de lembranças. Tiveram então a ideia de fundar um museu onde ex-namorados pudessem deixar objetos queridos ou odiados, como uma espécie "despedida definitiva e criativa" do amor que se foi.

Localizado no Palácio Kulmer, na parte antiga da capital croata, o museu exibe objetos doados anonimamente por pessoas do mundo todo e que simbolizam amores passados, cada um acompanhado de uma história ou uma explicação.

Um disco da Alemanha nazista, um retrato e uma caixa do amor secreto de judeus perseguidos, uma pasta para guardar papéis a agulhas de crochê de uma refugiada da Síria e uma carta de amor escrita durante o cerco de Sarajevo. Esses são apenas alguns dos objetos entregues e que testemunham histórias de amor e separação em tempos conflituosos.

"Partimos juntos, fomos capturados juntos e viajamos juntos. Vou me lembrar de você por toda a minha vida. O meu amor é infinito", diz o autor de uma carta nunca entregue e escrita durante uma dramática fuga de Sarajevo, que foi alvo de um assédio entre 1992 e 1995.

Uma mulher de Istambul doou o seu vestido de casamento nunca usado, já que o noivo morreu em um ataque terrorista em 2016.

"O meu vestido de noiva é a melhor representação do dia que quero me imaginar", explicou no texto feito ao entregar a peça.

Embora a ideia inicial tenha sido a de retratar o fim de amores românticos, muitos objetos doados se referem a relações familiares. Um exemplo disso é a coleção de mil tsurus de origami doada por uma japonesa que fez as dobraduras na época em que se sentia angustiada pela perda de um feto.

A nova mostra apresenta uma variedade de objetos da vida e da morte de casais em circunstâncias "normais", acompanhados das suas histórias, às vezes tristes e cheias de amargura e às vezes engraçadas e curiosas, como um mobiliário em miniatura feito por um casal da Coreia do Sul, que sonhava em morar junto e brincava de fazer móveis imaginando como seria a futura casa.

"No final, antes que chegarmos a pintar os móveis, decidimos terminar a nossa relação", conta a mulher na carta que acompanha a doação.

O que mais motiva Grubisic a continuar mantendo o museu e as exposições são as reações de muitos doadores.

"Alguns afirmam ter vivido verdadeiras catarses depois de doarem um objeto do amor fracassado. Além disso, os visitantes se reconhecem nas histórias, na dor, nas situações engraçadas e nas emoções dos outros expostas no museu. Não é raro ver um visitante emocionado, abraçando a si mesmo ou um dos funcionários do museu", revelou.

No site, o "www.brokenships.com", é possível enviar fotos, mensagens e gravações das suas últimas palavras sobre uma ruptura ou uma relação fracassada.

Em 2011, o espaço recebeu o Prêmio Kenneth Hudson de mais inovador da Europa e em 2016 ganhou o Prêmio IDCA (International Design Communication Award) de museu com a melhor página da internet.

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