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Especialistas descobrem como rochas eram movidas com rampas no Antigo Egito

02/11/2018 06h04

Manuel Pérez Bella e Francesca Cicardi.

Cairo, 2 nov (EFE).- Restos arqueológicos e inscrições hieroglíficas encontradas em uma pedreira de alabastro perto do Vale do Nilo permitiram que uma equipe de arqueólogos descobrisse como os antigos egípcios transportavam grandes blocos de rocha na época da construção das pirâmides.

Após estudarem cerca de cem inscrições e descobrirem destroços partes de instrumentos de madeira, os especialistas deduziram que os antigos egípcios utilizavam uma rampa central com grande inclinação para extrair os blocos de alabastro da pedreira de Hatnub.

O Ministério de Antiguidades egípcio anunciou na terça-feira a descoberta feita por uma missão conjunta do Instituto Francês de Arqueologia Oriental (IFAO), com sede no Cairo, e da Universidade de Liverpool no sítio arqueológico de Amarna, na província de Minia.

O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mustafa Waziri, destacou em comunicado que esta é a "primeira vez que se descobre o sistema de mudança de blocos da pedreira e como era possível levantar esses blocos de várias toneladas, o que muda completamente a compreensão sobre a construção das pirâmides" de Gizé.

O diretor do IFAO, Laurent Bavay, explicou à Agência Efe que para tirar as rochas do interior da pedreira, que tinha dez metros de profundidade, as pessoas as arrastavam pela rampa e usavam madeiras e cordas de origem vegetal.

"Esta é a evidência arqueológica de que eram capazes de movimentar grandes pedras por uma ladeira de 20 graus, que é muito aguda", acrescentou Bavay.

O egiptólogo comentou que, no caso das pirâmides, os especialistas ainda questionam qual seria a inclinação das rampas utilizadas para levantar os enormes blocos.

Nas pirâmides foi usada pedra caliça, que é um pouco mais leve que o alabastro, mas "muito provavelmente" com o mesmo método usado para levantar os blocos com os quais foram construídos os monumentos mais conhecidos do Egito.

O egiptólogo Roland Enmarch, especialista em inscrições da Universidade de Liverpool, disse à Efe que a pedreira de alabastro foi explorada na mesma época em que foi construída a Pirâmide de Quéops, faraó da IV dinastia (2550 a.C. a 2527 a.C.).

No entanto, "é muito improvável" que as rochas procedentes da pedreira de Hatnub tenham sido usadas na construção das pirâmides porque eram construídas de caliça, principalmente, e mármore no interior.

O alabastro, sim, foi usado em alguns templos e estátuas situadas na necrópole de Gizé, segundo explicou Enmarch. O egiptólogo detalhou que a missão conjunta, que começou em 2012 e continuará a estudar a pedreira, achou inscrições que fornecem informações sobre os blocos de pedra e a técnica com a qual eram levados até o rio Nilo, a 20 quilômetros de distância, de onde eram transferidos em navios.

Além disso, as inscrições estudadas contêm informação sobre o trabalho na mina.

"Havia centenas ou milhares de pessoas nas expedições que extraíam os minerais", explicou Enmarch.

Segundo o especialista, a pedreira de Hatnub era a principal fonte de alabastro naquela época, quando esse mineral era muito valorizado e usado para estátuas e vasilhas no interior dos templos faraônicos, entre outras utilidades.

O Ministério de Antiguidades garantiu que a missão continuará o trabalho para estudar as jazidas que rodeiam a pedreira, onde estão os restos dos alojamentos dos trabalhadores, o que pode esclarecer o trabalho deles e os procedimentos de extração e transporte.

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