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Avaliada em R$ 1,9 milhão, biblioteca de François Mitterrand vai a leilão

Jerome Prebois/Kipa/Sygma/Getty Images
O ex-presidente francês François Mitterrand (1916-1996) Imagem: Jerome Prebois/Kipa/Sygma/Getty Images

De Paris (França)

28/10/2018 16h33

 A casa de leilões Piasa colocará à venda nesta segunda (29) e na terça (30) cerca de 1.000 exemplares da biblioteca do ex-presidente da França, François Mitterrand, falecido em 1996, com um valor estimado em 450 mil euros (cerca de R$ 1,9 milhão), que atrai especialmente seus herdeiros no Partido Socialista.

No total, serão leiloados 683 lotes, fundamentais na literatura do século 20, entre os quais se destacam vários exemplares originais, como "Comme le Temps Passe...", de Robert Brassilach, com valor estimado entre 5.000 e 8.000 euros, e uma primeira edição de "La Colline Inspirée" de Maurice Barrès, com um valor entre 800 e 1,2 mil euros.

Um dos livros que desperta maior interesse é uma edição dedicada de "Os Justos", de Albert Camus: "Ao senhor ministro do Interior, em lembrança de uma causa justa (a luta que ambos compartilharam na Resistência contra os nazistas) e com a homenagem cortês de Albert Camus", lhe escreveu o autor em 1954, quando Mitterrand foi nomeado ministro do Interior.

"Era um bibliófilo. Gostava dos exemplares em papéis grandes e encadernações. Era conhecido por estudar as livrarias e devorar índices. Escapava da dura realidade política com seus famosos passeios literários pelo Bairro Latino" da capital francesa, declarou ao jornal "Le Parisien" Jean-Baptiste de Proyart, curador do leilão.

A coleção, que era propriedade do seu filho Gilbert Mitterrand e que inclui, em muitos casos, notas de leitura que o presidente escrevia ao terminar as obras, despertou o interesse de colecionadores, simpatizantes e outros nostálgicos, mas, além disso, da cúpula dos socialistas franceses.

Apesar da péssima situação das suas finanças, que lhes obrigou a desfazer-se da histórica sede da rua Solférino e transferir-se para os arredores de Paris, vários membros do partido demonstraram publicamente seu interesse em participar da venda.

"Nosso vínculo sentimental com François Mitterrand permanece. Graças a ele toda uma geração descobriu o Partido Socialista", disse à revista "Paris Match" o secretário-geral da legenda, Olivier Faure.

Para o partido que, com 30 deputados, enfrenta hoje uma grave crise interna, os livros de Mitterrand, cuja erudição e paixão pela literatura e as artes fazem parte da lembrança popular da sua figura, poderiam servir para dar um coração ao novo edifício que abriga a sede e manter viva sua memória, segundo alguns militantes.

"Mitterrand é uma parte consequente da nossa história, e desejo que o Partido Socialista participe do leilão na medida das suas possibilidades", pediu o senador Rachid Temal, que estará presente na venda.

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