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Destroços de navio que fazia rota para as Índias é descoberto no rio Tejo

01/10/2018 10h20

Paula Fernández.

Lisboa, 1 out (EFE).- Um grupo de arqueólogos de Portugal descobriu na foz do Tejo os destroços de um navio naufragado no final do século XVI ou começo do XVII que fazia a rota marítima para as Índias, no qual foram encontrados pimenta, porcelana chinesa e outros vestígios da época.

A embarcação foi localizada no começo de setembro durante uma expedição da equipe de arqueólogos submarinos da Câmara Municipal de Cascais, cidade que fica perto da foz do Tejo, em uma região na qual há registros históricos de perto de cem naufrágios.

"Sabemos que o estuário do Tejo é dos mais ricos em nível mundial porque ficava perto da capital do império português na época dos descobrimentos. Há registros históricos de aproximadamente cem navios. A probabilidade de encontrar um era muito grande, era questão de tempo", disse nesta segunda-feira à Agência EFE o arqueólogo que lidera o projeto, Jorge Freire.

Os naufrágios não eram estranhos na rota portuguesa para as Índias, com navios que tinham que fazer os 20 mil quilômetros que separavam Lisboa de Cochim, e que deviam passar pelo estuário do Tejo em suas viagens de ida e volta para levar ao império português as especiarias indianas.

A equipe liderada por Freire está trabalhando intensamente na região patrocinada por um projeto da Câmara Municipal e não descarta que possam encontrar mais navios, também de outras épocas.

Por enquanto, os esforços se centram em trabalhar com os destroços encontrados, entre os quais há vários canhões de bronze com o escudo de Portugal, porcelana chinesa da época Wanli, grãos de pimenta e cauris, conchas que eram usadas como moeda na venda de escravos.

Estes destroços, que lhes permitiram calcular que a embarcação afundou entre 1575 e 1625, vão ser agora tratados pela equipe, para o que a prioridade é assegurar o bom estado de conservação de todo o que foi encontrado.

"É uma descoberta de grande importância para o município de Cascais e para Portugal porque pela primeira vez foi feita em um ambiente puramente científico. Até agora, todas as descobertas desta dimensão foram fortuitos", afirmou Freire.

Quando as descobertas encontradas são feitos de forma fortuita por "homens do mar", explicou o arqueólogo, a tendência é mexer os destroços e levar "souvenires" para casa, o que não aconteceu neste caso.

A equipe vai retirar os elementos que correm perigo de deteriorar-se, mas a ideia é que o navio permaneça no fundo do rio.

"É recomendado pelos especialistas que parte do material seja retirado e, portanto, poderá ficar exposto no Museu do Mar de Cascais, mas outra parte é recomendável que fique no ambiente marinho", disse à EFE o prefeito de Cascais, Carlos Carreiras, que definiu a descoberta como "a maior do século".

"Tivemos várias descobertas importantes, mas não da dimensão e do interesse que tem este. Só se lembra de um parecido em 1994", acrescentou, em referência à embarcação Nossa Senhora dos Mártires, navio de carga que naufragou em 1606 na foz do Tejo, embora tenha sido achado em pior estado de conservação.

A Câmara Municipal de Cascais deve criar uma escola de arqueologia subaquática no local onde fica a embarcação para formar futuros profissionais desse campo, em parceria com entidades como a Universidade Nova de Lisboa, a Marinha Portuguesa e a Direção Geral de Patrimônio Cultural.
 

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