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Quênia autoriza projeção de "Rafiki", filme que concorreu em Cannes

21/09/2018 11h37

Nairóbi, 21 set (EFE).- O Supremo Tribunal do Quênia suspendeu por sete dias a proibição de exibição do filme "Rafiki", uma história de amor entre duas mulheres e a primeira produção cinematográfica do país a estrear e concorrer no Festival de Cannes. A decisão foi tomada nesta sexta-feira pela juíza Wilfrida Okwany, que permitiu a exibição nos cinemas do país durante uma semana, tempo necessário para que possa entrar na lista para as indicações do Oscar.

O filme, que conta a história de amor de duas jovens quenianas que enfrentam suas famílias e a comunidade, será projetado de domingo até sábado seguinte em alguns cinemas, segundo informou o distribuidor de "Rafiki" no Twitter.

O Conselho de Classificação de filmes do Quênia (KFCB, na sigla em inglês), que decidiu em abril "restringir" a exibição "por causa do conteúdo homossexual", especificou que a projeção "será restrita somente a adultos".

"É um momento triste e um grande insulto, não só para a indústria do cinema, mas para todos os quenianos que apoiam a moralidade. A permissão de um filme que glorifica a homossexualidade ser um selo do país no exterior", disse o KFCB em comunicado.

"Estou chorando (...) Nossa Constituição é forte! Agradecemos à liberdade de expressão! Conseguimos! Vamos divulgar as datas de exibição em Nairóbi em breve", disse a diretora do filme Wanuri Kahiu em sua conta nesta mesma rede social.

Kahiu processou o KFCB e seu presidente, Ezekiel Mutua, pela proibição, já que queria tentar concorrer ao Oscar na categoria de melhor filme em língua estrangeira.

O filme foi finalista no Festival de Cannes, na seção Um Certo Olhar, embora não tenha levado o prêmio.

A homossexualidade representa um vazio legal no Quênia, já que não é ilegal que uma pessoa se identifique como gay ou lésbica, mas não é permitida "a conjunção carnal que vai contra a natureza", como diz a lei no país africano.

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