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Épica viagem do explorador James Cook pela Polinésia completa 250 anos

07/08/2018 06h02

Viviana García.

Londres, 7 ago (EFE).- Em um mês de agosto há 250 anos o capitão James Cook iniciava sua épica viagem para as águas da Polinésia, uma das maiores travessias da história e que contribuiu para posicionar o Reino Unido como potência do século XVIII.

O explorador e cartógrafo (1728-1779), nascido no condado de Yorkshire (norte da Inglaterra), se alistou na Royal Navy (Marinha britânica) e rapidamente aprendeu o trabalho de mapear águas costeiras durante seu serviço na América do Norte.

Seus conhecimentos neste campo lhe permitiram ser escolhido pela Royal Navy para realizar este difícil trajeto até o Pacífico sul, em tempos de uma grande sede por explorar terras distantes e pelos conhecimentos científicos em muitos âmbitos.

Assim, Cook foi designado para presidir uma missão de astronomia ao saber que o planeta Vênus passaria entre a Terra e o Sol no início de junho de 1769, fenômeno que só poderia ser visto no hemisfério sul e era de interesse da Royal Society britânica.

Os preparativos começaram em 1768 e, no início de agosto daquele ano, Cook comandou a fragata "HMS Endeavour", embarcação com a qual o capitão fez três viagens pelo Pacífico.

A missão, organizada em 7 de agosto de 1768, zarpou no final desse mês do porto de Plymouth, sul da Inglaterra, para atravessar o Atlântico, o Cabo de Hornos e chegar às ilhas do Taiti a tempo para observar o trânsito de Vênus.

Para comemorar este aniversário, o Royal Mail (Correios Britânicos) emitiu neste mês um conjunto de dez selos elaborados a partir de pinturas dos nativos da Polinésia, bem como da paisagem, da flora e da fauna do Pacífico sul.

"Nossos novos selos marcam o 250º aniversário de uma das viagens mais importantes de descoberta de todos os tempos", disse Philip Parker, porta-voz do Royal Mail.

"A bordo da Endeavour estavam cientistas e artistas que registraram suas descobertas e o navio trouxe milhares de espécimens e ilustrações que assombraram a sociedade", acrescentou Parker.

Estes selos, que incluem também a imagem do capitão Cook, serão colocados à venda no Reino Unido no dia 16 de agosto.

A épica travessia de meses foi aprovada pelo rei George III (1738-1820), popularmente conhecido como "o rei louco" e que ajudou seu país a se erguer como grande potência, apesar de seu reinado ser bem mais lembrado pela perda das colônias americanas.

Quase cem homens viajaram na "HMC Endeavour", entre eles o astrônomo Charles Green e o especialista em botânica Joseph Banks.

Como curiosidade, os historiadores lembram que o barco levava no início da viagem 6 mil peças de carne de porco, nove toneladas de pão, cinco toneladas de farinha, grandes quantidades de queijo, sal, ervilhas, azeite e farinha de aveia.

A "HMC Endeavour" também tinha um grande abastecimento de álcool, uma vez que sua carga consistia em 250 barris de cerveja, 44 barris de aguardente e 17 barris de rum.

A fragata, com um fundo plano que facilitava a navegação em águas pouco profundas, chegou ao Taiti em abril de 1769, a tempo para que Green observasse a passagem de Vênus, mas depois continuou navegando para a Nova Zelândia e para a costa leste da Austrália.

Cook reivindicou estas últimas terras para o Reino Unido e a chamou de Nova Gales do Sul (um dos atuais estados australianos), antes de retornar à Inglaterra em 1771.

No entanto, o capitão, não satisfeito com sua primeira viagem, decidiu fazer outras duas ao Pacífico sul, chegando a reclamar junto à coroa britânica as ilhas que hoje levam seu nome e que atualmente - como Rarotonga e Aitutaki, do arquipélago das ilhas Cook - são um paraíso para os amantes de areias brancas.

A terceira viagem levou Cook até o Havaí, após procurar, sem sucesso, uma rota entre o Pacífico e o Atlântico, e foi lá onde o famoso capitão morreu em uma briga com ilhéus, em fevereiro de 1779.