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Deslocamento torna-se solução para edifícios históricos na China

20/07/2018 06h01

Paula Escalada Medrano.

Xangai (China), 20 jul (EFE).- Após décadas de uma febre da construção civil, a China está vivendo nos últimos anos uma onda de conscientização sobre a necessidade de proteger seus edifícios históricos, uma tendência que está fazendo proliferar o uso de técnicas como a do deslocamento de imóveis.

"Nas cidades há cada vez mais leis que protegem os edifícios históricos para que não possam ser demolidos nem modificados, razão pela qual técnicas como a de movimentar edifícios são cada vez mais utilizadas", afirmou à Agência Efe Xilin Lu, especialista em Engenharia Civil da Universidade de Tongji de Xangai.

Enquanto antes a demolição era a solução para a maioria dos edifícios que "destoavam" na construção de novos arranha-céus ou estradas, "agora a mente das pessoas está mudando de acordo com o desenvolvimento do país" e se está buscando novas técnicas, explicou Lu.

Além disso, acrescentou que, graças à força da economia chinesa, cada vez "destinamos mais dinheiro para proteger os edifícios".

Meio século depois que o Egito surpreendeu o mundo com a "loucura" de cortar em cubos e transferir os templos de Abu Simbel, os engenheiros chineses realizam com cada vez mais frequência faraônicas obras de realocação de edifícios nas quais, literalmente, os cortam desde os alicerces e os transferem por meio de sistemas como os trilhos.

Há poucos dias foi concluído com sucesso na cidade de Xangai o deslocamento de uma vila centenária situada no distrito de Hongkou. Em um movimento planejado em zigue-zague, o edifício foi deslocado quase 7.000 metros, girado em 90 graus e elevado por meio metro.

Um custoso trabalho de engenharia que, segundo os especialistas, foi o caso mais complicado em décadas, mas que valeu a pena.

"O giro se transformou na parte mais difícil do projeto, já que requeria habilidades de vanguarda para equilibrar as forças exercidas, caso contrário a estrutura teria sido danificada", explicou à imprensa um dos engenheiros participantes do projeto.

Na opinião de Xilin, embora seja um processo arriscado e custoso, "na maioria dos casos vale a pena transferir um edifício porque desmontá-lo para reconstruí-lo custaria mais e não seria possível manter o estilo original", destacou.

O engenheiro participou como consultor em vários deslocamentos de edifícios, como o do famoso Templo de Jade de Xangai, que foi concluído no ano passado.

Construído em 1918, este turístico edifício budista foi deslocado 30,66 metros para o norte junto com as três enormes estátuas budistas para conseguir ampliar sua capacidade de receber visitantes e também para reforçar sua estrutura.

"Nós o movimentamos mais rápido que o normal, a um ritmo de um milímetro por minuto", detalhou o especialista, que ressaltou que o mais importante "é dar segurança ao edifício primeiro, reforçá-lo bem, para que, quando o cortar e o movimentar, não seja danificado".

Também é muito importante a velocidade do movimento e "é preciso fazer cálculos muito precisos sobre quão rápido pode movimentá-lo", completou.

Segundo Xilin, há três razões para movimentar um edifício: para a reconstrução ou replanejamento de uma cidade; proteger a segurança de uma construção histórica e antiga que pode ter danos ou também para aumentar seu espaço interior; e potencializar seus diferentes usos.

Xilin não só se considera um apaixonado do seu trabalho, mas também, como engenheiro civil, sente que tem "responsabilidade de proteger os edifícios históricos".

Atualmente está participando de dois projetos em Xiamen e Hainan, duas cidades turísticas nas quais os governos também estão fazendo planos que requerem que alguns edifícios tenham que ser deslocados.

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