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Ramadã, um mês diferente até para a programação da TV

11/06/2018 09h57

Fatima Zohra Bouaziz.

Rabat, 11 jun (EFE).- Durante o Ramadã, as emissoras de televisão dos países árabes fazem grandes modificações para adaptar a programação às necessidades dos telespectadores e dão mais espaço aos programas religiosos e às séries de ficção.

É quase uma regra: a TV tem que estar ligada na sala a partir do fim da tarde para se escutar a oração que anuncia o fim do jejum. Daí em diante, ela passa a ser como um membro da família, presente durante horas e horas enquanto os demais comem.

O mês do Ramadã é o nono do calendário muçulmano e durante o qual, entre o nascer e o pôr do sol, os fiéis deixam de comer, beber - inclusive água -, manter relações sexuais, falar mal do próximo e no qual se espalham os atos de devoção e as orações.

Também é um mês no qual é possível ver os diferentes canais, generalistas e especializados, se multiplicam os programas religiosos, na maioria das vezes apresentados por teólogos ou estrelas que abordam temas que vão dos costumes do Ramadã às tradições do profeta Maomé.

Mas aqueles que realmente monopolizam cada vez mais o "horário nobre" do Ramadã, das 19h30 às 21h30 (no horário local), são os programas de entretenimento, sejam eles comédias, séries ou sequências de câmera escondida.

As produtoras de comédia fazem seus maiores investimentos neste mês e as cadeias especializadas em drama entram todos os anos em uma acirrada disputa para ver quem vai transmitir os programas dos astros mais populares do mundo árabe.

Este ano, por exemplo, a briga foi para conseguir exclusividade na transmissão da série "Awalem Khafea" ("Mundos escondidos") do ator egípcio Adel Imam, um mito do Marrocos ao Iraque. Outros canais divulgam as séries que estão sendo exibidas e à medida que o mês vai passando publicam uma lista das mais assistidas.

Neste ano, tudo indica que as produções egípcias são as de maior audiência e a líder é a série "Nesr El-Saeed" ("Águia do Alto Egito"), protagonizada pelo egípcio Mohamed Ramadan. Segundo o portal "Alwafd.news", a produção de séries do Egito representou um investimento de 1,8 bilhões de libras egípcias (cerca de R$ 385 bilhões).

No Marrocos, os momentos de maior audiência são conquistados pelas comédias e pelos quadros de câmera escondida. A câmera escondida "Mchiti Fiha", do canal "2M", monopoliza, por exemplo, 68,8% da audiência, de acordo com uma pesquisa da empresa Marocmétrie.

A publicidade não podia ignorar este momento excepcional e as empresas fazem os seus maiores investimentos em propaganda nesta época, o que se traduz em intermináveis blocos de anúncio.

Por ser um mês de audiência máxima, nem sempre é um período com conteúdo de qualidade, e não faltam críticas sobre a frivolidade ou a falta de criatividade dos canais.

A Associação Marroquina dos Direitos do Telespectador denunciou recentemente a "mediocridade" dos programas exibidos na hora da quebra do jejum, enquanto na Argélia, o ministro da Cultura, Azzedine Mihoubi, criticou os conteúdos "violentos" das "pegadinhas" deste mês.

Vários analistas afirmam que a consequência é a perda do espírito do próprio Ramadã, um mês de recolhimento, devoção e rezas, e não de televisão. Os religiosos, por outro lado, criticam os fiéis que assistem, mas, contraditoriamente, fazem isso dentro do horário televisivo que o Ramadã lhes proporciona.

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