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Legado de Yves Saint Laurent não sai de moda mesmo 10 anos após sua morte

01/06/2018 06h02

Rosalía Macías.

Paris, 1 jun (EFE).- Durante 71 anos de vida, o tímido e provocador Yves Saint Laurent teve tempo de se transformar em um dos ícones da alta-costura e revolucionar os armários de milhões de mulheres com seu estilo inconfundível que, dez anos depois da sua morte, não saiu de moda.

Personalidades do mundo da moda não pouparam elogios para definir o estilista após sua morte em Paris, no dia 1º de junho de 2008: "mestre", "gênio", "revolucionário", "inesquecível".

Segundo a biógrafa oficial de Saint Laurent, Laurence Benaim, dez anos depois, seu trabalho ainda influencia a moda.

"Yves Saint Laurent fez os guarda-roupas evoluírem com seu estilo atemporal que é, antes de tudo, uma maneira de ver o mundo e de celebrar a beleza", afirmou.

O francês começou a trabalhar como assistente de Christian Dior aos 18 anos e, após a morte repentina de seu mentor, se tornou o estilista da marca com apenas 21 anos, salvando a empresa da ruína financeira.

Em 1961, Saint Laurent saiu da Dior e, após passar por um processo de depressão, decidiu criar a própria marca com seu nome "Yves Saint Laurent" junto com o empresário e seu companheiro Pierre Bergé (1930-2017), que o acompanhou durante 50 anos.

O estilista francês inovou ao vestir as mulheres com smokings, transparências, calças de cintura alta ou sua famosa jaqueta "saharienne", inspirada na roupa dos militares britânicos no início do século XX.

Especialistas afirmam que Saint Laurent deu "o poder" às mulheres após Coco Chanel (1883-1971) ter dado "a liberdade".

De acordo com um comunicado do Museu Yves Saint Laurent de Paris, ele queria "vestir todas as mulheres, não somente as clientes da alta-costura. Por isso, foi o primeiro estilista a criar uma loja de "prêt-à-porter" (pronto para levar), decisão que teria aberto o caminho para o que a moda se tornou hoje.

"A única coisa que lamento é não ter inventado a calça jeans", confessou o estilista francês em uma ocasião.

Saint Laurent apagou a linha que separa a arte da moda, e transformou em roupa as obras de pintores como Matisse, Mondrian, Basquiat, Pollock e Picasso - a quem dedicou coleções inteiras.

Para o estilista espanhol Elio Berhanyer, admirador do francês, o reconhecimento desse estilo viria com o tempo.

"Muitas roupas de Saint Laurent serão vistas no futuro como um quadro de Velázquez", disse.

As cores e a inspiração vinham do Marrocos e, sobretudo, de Marrakech, cidade onde foram deixadas suas cinzas e que hoje abriga um museu inteiramente dedicado às suas criações.

O continente africano foi uma das grandes fontes de inspiração do artista, que nasceu e passou a infância na Argélia, quando o país ainda era uma colônia francesa.

Durante os anos que passou na cidade de Oran, Saint Laurent já criava vestidos para as bonecas das suas irmãs e sonhava em ser conhecido em Paris, apesar de sua grande timidez.

De acordo com sua biógrafa, apesar de ser mais reservado, o estilista era conhecido por ter "uma força interior muito poderosa".

"A fama foi sua vingança", afirmou.

A popularidade de Saint Laurent o levou a ser o primeiro estilista convidado a expor suas obras em um museu, o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, que em 1983 organizou uma retrospectiva de seus 25 primeiros anos como estilista.

A carreira de sucesso de Saint Laurent se estendeu até 2002, quando anunciou sua retirada definitiva das passarelas e abandonou o famoso escritório na Avenida Marceau, em Paris, pondo fim a "40 anos de amor".

Hoje, seu legado permanece não apenas nos armários, mas também nos museus de Paris e Marrakech, graças à sua pioneira decisão de arquivar minuciosamente todas as suas peças desde a criação da marca, exemplo que logo foi seguido por marcas como Chanel e Dior.

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