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Praça de Maio é reaberta em Buenos Aires depois de polêmica reforma

29/05/2018 14h03

Buenos Aires, 29 mai (EFE).- A famosa Praça de Maio, em Buenos Aires, foi reaberta nesta terça-feira ao público, depois de mais de cinco meses em obras que tiveram como objetivo "criar espaços verdes" na capital da Argentina, em um ato presidido pelo prefeito Horacio Rodríguez Larreta.

A mudança foi marcada por polêmicas, já que logo de início ladrilhos pintados com os característicos lenços brancos das Mães da Praça de Maio foram retirados. O grupo se reúne no local toda quinta-feira há mais de 40 anos para denunciar os casos de desaparecimento de pessoas durante a última ditadura (1976-1983).

A denúncia foi aberta pouco depois da retirada dos ladrilhos, que foram entregues a centros dedicados à recuperação da memória histórica e às próprias Mães. Elas colocaram como condição que, uma vez que a restruturação terminasse, as peças fossem repintados para a nova praça, o que de fato aconteceu.

Em março, a fundadora da Associação das Mães de Praça de Maio, Hebe de Bonafini, promoveu uma campanha para que a população argentina pintasse os lenços pelas ruas da cidade "perante o avanço do governo de apagar a memória". Pouco dias depois e por ocasião da celebração do Dia Nacional pela Memória, Verdade e Justiça, em 24 de março, ruas e calçadas da capital argentina se encheram de imagens de lenços brancos.

"Para cada lenço que tentam rasgar ou tirar das praças, é preciso pintar milhares deles. É uma reivindicação", disse ela naquela época.

Após a obra também foi instalada uma grade para dividir o espaço da praça em substituição à cerca dobrável que foi instalada por causa dos grandes protestos gerados pela crise de 2001, que aconteceram na frente da Casa Rosada, sede do Executivo, localizada nesse lugar. Para muitos organismos de direitos humanos, a instauração da cerca sempre foi alvo de crítica pela vinculação que é feita com a repressão sofrida durante esse enfrentamento, no qual 39 pessoas morreram em todo o país.

A outra cara da controvérsia se manifesta porque defensores do patrimônio público asseguram que essa cerca fixa não foi aprovada pela Câmara e não deveria ser instalada de forma permanente. Larreta desprezou as queixas das associações dedicadas à conservação do patrimônio e disse que "a grade foi instalada há 17 anos" e que as novas "podem ser retiradas".

"Acho que está melhor integrado ao projeto da praça", disse com relação à restauração, que teve um custo total de 43 milhões de pesos (cerca de R$ 6 milhões).

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