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Fórum de Comunicação em cidade cazaque discute desigualdade de gênero

24/05/2018 14h15

Astana, 24 maio (EFE).- O desequilíbrio de poder entre homens e mulheres é a causa de todos os conflitos mundiais e o abuso desse poder deve ser tratado como uma doença, concluiu a última sessão do 15º Fórum de Comunicação Eurasiática realizado nesta quinta-feira na cidade de Almaty, no Cazaquistão.

"Se não envolvermos as mulheres na tomada de decisões, continuaremos tendo este desequilíbrio de poder e desigualdade, que é a raiz de todos os conflitos", declarou Elaine Conkievich, representante da ONU Mulheres na Ásia Central.

"Quando falamos de violência doméstica ou de brutalidade no mundo, falamos de relações de poder, e até que não igualemos estas relações de poder não teremos paz no mundo ou paz no lar", acrescentou durante a sessão "Evolução da moralidade: Onde encontramos nossos novos valores?".

"A igualdade de gênero é um dos maiores desafios, se não o maior desafio do século XXI, e até que todos compreendamos isso e ponhamos nosso enfoque, nossa atenção e nossa consciência nisso, não avançaremos como espécie", analisou Elaine.

O jornalista e presidente do "Today's Youth Asia", o nepalês Santosh Shah, afirmou que os homens que abusam do seu poder sobre as as mulheres sofrem de uma doença.

"O tratamento de desigualdade sofrido pelas mulheres, as violações, os maus-tratos e tratá-las como escravas é a maior doença que o mundo sofre. E ninguém, nenhum governo, nenhum partido político, nem a ONU, nem a UE puseram um só centavo para pesquisar e tentar encontrar uma solução para isto", criticou Shah.

"Temos que chegar o coração do problema, aceitando isto como uma doença mental. Colocar Harvey Weinstein na prisão não é a solução", disse Shah em referência à investigação sobre acusações de abuso sexual contra o ex-produtor de cinema americano.

A respeito disto, o produtor e diretor americano Evgeny Afineevsky, indicado ao Oscar em 2016 por seu documentário "Winter on Fire", elogiou as mulheres de Hollywood que deram um passo à frente para "explicar o lado obscuro das suas corridas".

Ele o descreveu como um exemplo da transição que existe atualmente para uma nova moralidade e "da necessidade da sociedade de passar por um processo de limpeza".

"A situação de Harvey Weinstein nos traz a oportunidade de mostrar uma nova geração de produtores e diretores que as mulheres são iguais aos homens. As pessoas têm que entender que se você está abusando da sua posição, está fazendo uma coisa ilegal", disse Afineevsky.

A jornalista britânica e presidente do "think tank" Social Market Foundation, Mary Ann Sieghart, zombou da desculpa de muitos homens poderosos acusados de abuso que são objeto de uma "caçada às bruxas".

"Acredito que o uso da expressão 'caça às bruxas' como metáfora na realidade é muito ruim e inexata porque todos sabemos que as bruxas não existem, mas que os homens que acossam sexualmente estão francamente em todas as partes", disse Mary.

"Em uma sociedade civilizada esperamos que os homens controlem os seus impulsos", acrescentou a jornalista britânica.

"Vocês, homens têm que manter as mãos quietas. Não é tão difícil", comentou Mary.

O Fórum de Comunicação Eurasiática reúne anualmente mais de 600 especialistas, políticos, economistas e líderes de opinião de mais de 60 países.

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