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Jane Fonda deixa Cannes aos seus pés com a história da sua vida

Getty Images
Jane Fonda no Oscar 2018 Imagem: Getty Images

Cannes (FRA)

12/05/2018 18h52

A atriz americana Jane Fonda conquistou o público do Festival de Cannes no sábado (12) com um sincero documentário que percorre seus 80 anos de vida sem esconder seus passos em falso e celebrando a mulher na qual se transformou.

"Jane Fonda in Five Acts", dirigido por sua compatriota Susan Lacy e projetado na seção de Clássicos do festival, já tinha ganhado a audiência de antemão, que ovacionou a presença da estrela na estreia.

"Foi muito divertido fazê-lo. Toca em muitos temas universais, que espero que emocionem e inspirem vocês", disse a atriz minutos antes do início da projeção e acompanhada por Lacy e pelo diretor artístico de Cannes, Thierry  Frémaux.

Os aplausos ao final cumpriram sua previsão dando o sinal verde a um filme que, em cinco atos, repassa uma vida poliédrica com imagens de arquivo e de seus filmes, entrevistas com ex-maridos, familiares, companheiros como Robert Redford e a própria atriz.

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Robert Redford e Jane Fonda Imagem: Divulgação


A filha do mítico Henry Fonda, que nos seus respectivos casamentos com Roger Vadim (1965-1973), Tom Hayden (1973-1990) e Ted Turner (1991-2001) se metamorfoseou até finalmente encontrar a si mesma, admite sua necessidade de gostar antes de perceber que "tentar ser perfeita é uma viagem perigosa".

Do mito erótico no qual se transformou em "Barbarella" à militante comprometida contra a guerra do Vietnã ou a favor dos direitos das minorias, o documentário se aprofunda nessa evolução interior.

A vencedora de dois Oscar de melhor atriz por "Klute - O Passado Condena" (1971) e "Amargo Regresso" (1978) fala diretamente à câmera e transborda senso de humor, rindo muito de si mesma, confessando que nenhuma das suas relações foi igualitária, lamentando não ter estado mais presente com sua primeira filha ou enxergando como um erro ter recorrido à cirurgia plástica.

"Detesto a ideia de ter tido que me retocar para me sentir bem. Eu gostaria de ser mais valente, mas sou o que sou", reconhece nesta espécie de psicanálise cinematográfica, que centra o primeiro capítulo na sua relação com seu pai, para focar-se nos três seguintes nos seus sucessivos maridos e no último, finalmente, nela.

Jane Fonda, que passou de estrela de Hollywood a estrela de todo tipo de causas, e que financiou com seus bem-sucedidos cursos de aeróbica algumas dessas campanhas, demonstrou hoje em Cannes, em um momento em que segue brilhando na televisão, que agora que entra no último ato da sua vida ainda tem uma voz.

"Não importa de onde viemos, estamos vivendo uma crise terrível. Temos que estar unidos e crer que a democracia é possível", concluiu a atriz, que diz ter se perdoado como mãe e como filha neste exercício de introspecção.