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Diretor de museu é demitido por incluir Pinochet em exposição sobre liberdade

Reprodução/YouTube
O ditador chileno Augusto Pinochet Imagem: Reprodução/YouTube

Santiago (Chile)

09/05/2018 16h15

O diretor do Museu Histórico Nacional do Chile, Pablo Andrade, foi despedido nesta quarta-feira (09), após incluir o ditador Augusto Pinochet em uma exposição conceitual sobre a liberdade, informou o Ministério de Culturas, Artes e Patrimônio.

Em comunicado, o órgão declarou que a ministra Alejandra Pérez Lecaros pediu a saída de Andrade por "graves erros de curadoria" na exposição "Filhos da Liberdade: 200 anos de Independência". Ela também determinou a imediata suspensão da mostra, que gerou polêmica tanto no âmbito político âmbito cultural.

A exposição era a primeira parte de uma trilogia de mostras temporárias associadas aos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, por isso o órgão anunciou que serão analisadas as outras duas partes da série antes das exibições. Uma imagem de Pinochet com a frase "A façanha de 11 de setembro incorporou o Chile à heroica luta contra a ditadura marxista dos povos amantes da sua liberdade", extraída de um dos seus discursos sobre o golpe militar que ele liderou para derrubar o presidente Salvador Allende foi responsável por toda a questão.

A exposição reunia, ao todo, trechos de 14 discursos ou ideias em torno do conceito de liberdade, de personalidades como Michelle Bachelet, Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Patricio Aylwin e Elena Caffarena, esta última pioneira na luta pelos direitos civis da mulher no Chile.

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Detalhe da exposição "Filhos da Liberdade: 200 anos de Independência", do Museu Histórico Nacional do Chile Imagem: Reprodução/Twitter


Antes da demissão, o Museu explicou em nota que a presença de Pinochet era parte de um trabalho que mostrava diversas visões. "No contexto da mostra há 14 fragmentos de discursos ou posições em torno deste conceito (liberdade) elaborados por personagens da nossa História", indicou.

"O fragmento de um discurso feito por Augusto Pinochet, de 1973, é parte de uma montagem que procura mostrar diferentes usos e apropriações da ideia de liberdade, sem elogiar figuras em particular", acrescentou.

O deputado Giorgio Jackson, do partido Revolução Democrática, publicou algumas fotos da exposição nas redes sociais e criticou a postura. "Além das explicações que mencionam, simplesmente não posso acreditar que o Museu Histórico Nacional possa incluir Pinochet na exposição 'Filhos da Liberdade'!".

O Instituto Nacional dos Direitos Humanos (INDH) também se posicionou contrariamente.

"Este tipo de ação não ajuda à construção de uma sociedade com respeito aos Direitos Humanos, preocupada com a dignidade das vítimas, com a verdade e a memória", declarou.

O Ministério de Culturas afirmou hoje que acredita "firmemente no papel da cultura e das artes no resgate da memória" e que a defesa dos Direitos Humanos é uma forma de "fortalecer a identidade do país" e criar um Chile "mais respeitoso".

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