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Academia do Nobel informa renúncia de mais dois membros após escândalo

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Lotta Lotass e Kerstin Ekman, que deixaram Academia do Nobel Imagem: Getty Images/Reprodução

De Copenhague (Dinamarca)

07/05/2018 14h49

Quatro membros da Academia Sueca já renunciaram ao cargo devido ao escândalo de abuso sexual que provocou uma das maiores crises da instituição e o adiamento para 2019 da entrega do prêmio Nobel de Literatura deste ano.

Além das renúncias já conhecidas de Klas Östergren e Sara Stridsberg, Lotta Lotass e Kerstin Ekman confirmaram por escrito o desejo de deixar definitivamente a instituição nesta segunda-feira.

Resta saber o que ocorrerá com os outros quatro membros que mostraram, em um primeiro momento, desejo de deixar a instituição quando o escândalo foi revelado, mas que ainda não expressaram a decisão por escrito, como pediu a Academia Sueca.

A instituição deu um prazo até setembro para que eles tomem a decisão e pretende escolher os substitutos antes do fim de 2018.

A renúncia até então era simbólica porque os cargos dos representantes eram vitalícios. No entanto, por causa da crise, o rei da Suécia, Carlos XVI Gustavo, deu início a uma reforma dos estatutos para permitir renúncias voluntárias e as correspondentes substituições.

O escândalo explodiu em novembro, quando um jornal publicou denúncias anônimas de 18 mulheres contra o artista Jean-Claude Arnault, marido de uma das integrantes da Academia Sueca, Katarina Frostenson, e ligado à instituição por meio de um clube literário.

A Academia Sueca rompeu relações com Arnault e determinou uma auditoria para investigar o vínculo do artista com a instituição, mas divergências internas provocaram renúncias, acusações e as renúncias tanto de Froteston como da secretária Sara Danius.

Há três semanas, a Academia Sueca decidiu publicar os resultados da auditoria interna e entregá-los às autoridades.

O relatório descarta a acusação de que Arnault tenha influenciado em decisões sobre prêmios concedidos pela Academia Sueca. No entanto, os repasses ao clube literário do artista descumpriam as regras de imparcialidade porque sua esposa era coproprietária da empresa que o controlava. A confidencialidade sobre os vencedores do Nobel também foi violada em várias ocasiões.

A Academia Sueca decidiu na última sexta-feira, pela primeira vez em sete décadas, não conceder o Nobel de Literatura e adiar a decisão para o próximo ano. Dois prêmios serão concedidos em 2019.

Para justificar a histórica decisão, a Academia Sueca disse que perdeu a confiança do mundo exterior. A instituição também justificou a falta de membros para conceder o prêmio: possui agora apenas dez, dois a menos do que o necessário para tomar decisões relativas ao Nobel.

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