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Atriz chilena Daniela Vega diz que é artista para "se conectar com os outros"

AFP
Sebastian Lelio (L) and Daniela Vega arrive for the 90th Annual Academy Awards on March 4, 2018, in Hollywood, California. / AFP PHOTO / VALERIE MACON Imagem: AFP

Isabel Reviejo

Riviera Maya (México)

28/04/2018 18h24

Uma pessoa do Chile pode ver um filme japonês e "sentir o que esses personagens sentem", um ugandense pode ver um filme espanhol e ter a mesma empatia: essa é a virtude do cinema para a atriz Daniela Vega, que defende que é artista "para se conectar com os outros".

"A arte é uma ferramenta, uma chave de conexão", afirma em entrevista com a Agência Efe a chilena, indicada aos Prêmios Platino - cuja cerimônia será realizada amanhã na Riviera Maya - de melhor atriz por sua atuação no filme "Uma Mulher Fantástica ".

Quanto mais perto o público estiver da arte, nas suas diferentes formas, "mais fácil podemos acessar o conhecimento de nós mesmos e da sociedade ".

"Sou uma artista incansável para emocionar e tentar levar as emoções humanas a diferentes níveis, esse é o meu trabalho, esse é o meu papel, e é nisso que aposto", argumenta esta defensora da arte "como uma ponte de comunicação e não como um muro ou uma barreira".

As palavras de Daniela ressonam com um tom sereno que contrasta com o alvoroço que emerge a seu ao redor por onde passa.

Não é para menos: antes da sua participação na última edição do Oscar, onde "Uma Mulher Fantástica" levou a estatueta de melhor filme estrangeiro, nenhuma pessoa transexual tinha sido um dos apresentadores destes prêmios.

A atriz também foi incluída na lista da revista "Time" como uma das cem pessoas mais influentes do mundo, e é vista por alguns setores como um ícone, embora ela não se considere como tal.

No entanto, estes reconhecimentos internacionais não dão a Daniela a sensação de estar fazendo história.

"Nós somos artistas, e o que fazemos são obras de arte, e são as pessoas que consomem essas obras que julgam depois o que acontece com elas".

"Uma Mulher Fantástica ", do diretor Sebastián Lelio, conseguiu colocar no centro do debate a discriminação da comunidade transexual e os preconceitos da sociedade. "O cinema como ferramenta - afirma Daniela - é valente e poderoso".

"Vai depender de quem pegar a câmera, quem escrever o roteiro, quem atuar", e de todas aquelas pessoas que, definitivamente, constroem um relato.

No seu caso, desde a primeira vez que leu o roteiro de Lelio e Gonzalo Maza, soube que seria um personagem "muito complexo, porque tinha muitas camadas emocionais, todas muito diferentes".

Por isso, a atriz confiou e se entregou à direção "magistral" de Lelio para interpretar Marina; um desafio, já que é um personagem que a câmera segue o tempo todo e isso implica "muita responsabilidade".

Além disso, há momentos no filme que são "muito poderosos, do ponto de vista narrativo e estético".

"Sinto-me uma pessoa fazendo perguntas à audiência, e acho que a arte é mais uma pergunta do que uma resposta, o cinema é mais um questionamento", reflete a atriz.

No momento, Daniela está escrevendo um livro que misturará "diferentes formas narrativas" e que girará em torno da sua biografia. Além disso, tem entre seus planos vários projetos no cinema, no teatro e na música nos quais irá trabalhar entre este ano e 2019.

"Por enquanto, tenho muito trabalho e o que quero fazer é continuar trabalhando, portanto descanso certas horas durante o dia ou à noite, (quando) leio ou faço o que penso", comenta a atriz e cantora.

Daniela conta que um de seus sonhos ser dirigida pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar, por admirar "sua sensibilidade e forma de dirigir seus atores" e por considera-lo um "grande artista", por isso "adoraria trabalhar com ele algum dia".

"Uma Mulher Fantástica" parte, com nove indicações, como favorito nos Prêmios Platino do cinema ibero-americano, que serão entregues amanhã no Teatro Grande Tlachco.

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