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Museu Municipal de Haia reúne Modernismo holandês do século XX

21/04/2018 10h11

Imane Rachidi.

Haia, 21 abr (EFE).- As peças artísticas para decorar e vestir com as quais a Holanda tentou marcar sua identidade modernista e autêntica no final do século XIX e mais tarde como frente contra as tensões da Primeira Guerra Mundial, são exibidas a partir deste sábado no Museu Municipal de Haia.

"No início do século XX, foi adotado e houve interesse pelo estilo internacional, que era uma arte um pouco frívola, mas, ao mesmo tempo, começaram a se abrir em Haia lojas de Art Nouveau (Modernismo) de artistas locais holandeses, que marcaram um estilo diferente", explicou à Agência Efe, Frouke van Dijke, curadora do museu.

Enquanto a Bélgica e Alemanha centravam seu Modernismo na busca por "uma nova forma de linguagem expressiva", os artistas holandeses focaram na reavaliação da tradição e das habilidades, na reforma da educação artística, na valorização da perfeição e qualidade da natureza e no fascínio pelas culturas exóticas.

A Holanda considerava "muito frívola" a arte que chegava de fora, especialmente a francesa, e o Modernismo holandês "devia ser mais claro, racional, menos colorido", um estilo que "fosse mais próximo da personalidade holandesa, que se reflete hoje na comida e modo de vida simples" dos holandeses, acrescenta Van Dijke.

Este movimento artístico surgiu no final do século XIX na Europa e, enquanto na Espanha recebeu o nome de Modernismo, em outros países, especialmente na França, é chamada de Art Noveau (Arte Nova).

Era um estilo que buscava "uma arte para uma sociedade nova e melhor" que iniciava o século XX "com desejos de mudança" e que não esperava que a Holanda seria - por sua localização geográfica entre a Alemanha, França e Reino Unido, no meio da Grande Guerra (1914-1918) - uma sociedade que olhou para longe em termos de identidade através da arte.

A exposição, que está aberta ao público até o dia 28 de outubro, será em Haia, conhecida nacionalmente como "a capital do Art Nouveau holandês", a cidade que no século XX se transformou no centro da Justiça internacional.

Há ainda dezenas de edifícios de época que podem ser vistos nas ruas da cidade, como Buitenhof, que abriga o principal cinema do centro da Haia e que é um prédio emblemático e peculiar do Modernismo holandês.

O próprio Museu Municipal de Haia (Gemeentemuseum, em holandês) fica localizado em um edifício modernista, ainda de propriedade dos herdeiros do arquiteto holandês Hendrike Berlage, que o projetou como um símbolo revolucionário para romper com o Art Nouveau internacional.

A prefeitura mantém o edifício intacto e em seu estado original, e ressalta que "também faz parte desta exposição", pois a arquitetura marcou uma identidade especial durante o Modernismo.

Os objetos em exposição, como um relógio de ouro com pedras verdes, um armário de madeira, vasos, taças e chaleiras, e até mesmo vestidos, têm em comum as linhas curvas cuidadosamente estilizadas, inspiradas na natureza, que expressam emoções e beleza, "uma arte mais natural" em comparação com o resto da Europa.

"A Art Nouveau apareceu com um desejo de inovar, mas na Holanda também foi uma busca pelo autêntico. Esta exposição é uma vitrine de artes decorativas em um contexto amplo que vai de 1884 até 1914, uma era em que a autenticidade e o artesanato eram cada vez mais apreciados", explica o museu.

Essa época é conhecida como uma de grandes mudanças na sociedade holandesa, pois a população urbana começou a crescer mais rápido que a rural e os veículos de imprensa promoveram a internacionalização dos Países Baixos.

Também começaram a surgir os primeiros movimentos pela igualdade de direitos e os grandes sintomas de um processo de industrialização.

"No mundo da arte, especialmente entre designers e artistas de decoração, estas mudanças levaram a contra-reações, incluindo a redescoberta da natureza, do campo e do tradicional", diz o museu.

A beleza era "uma necessidade básica" para os artistas da Art Nouveau na Holanda, que rejeitaram a arte "extravagante" de seus vizinhos e apostaram pela "coerência com o caráter nacional", embora na prática, reconhece Frouke van Dijke, "coexistiram muitos gostos e combinaram elementos" de diferentes movimentos.

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