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Grupo mistura ritmos brasileiros e garra do flamenco em uma mesma dança

16/04/2018 11h47

Carlos Meneses Sánchez.

São Paulo, 16 abr (EFE).- Em uma pequena sala de dança no centro de São Paulo, Alessandra Kalaf, Priscila Grassi e André Pimentel trabalham para encaixar com cuidado a garra do sapateado do flamenco com a doçura dos ritmos brasileiros em uma mesma dança, tão surpreendente quanto universal.

Os três dançarinos se uniram em 2001 para formar o "Grupo Luceros Arte Flamenco", e cinco anos depois começaram a colocar em prática uma ideia que no início parecia arriscada: unir os movimentos do flamenco com a musicalidade própria do Brasil.

O resultado: uma dança na qual não faltam palmas, gestos, leques e os movimentos com os pés característicos do flamenco, mas ao ritmo de baixo, clarinete, percussão e acordeão do compositor Toninho Ferragutti, que pôs suas criações a serviço do trio brasileiro.

Em seu espetáculo, o "Luceros Dança Toninho Ferragutti", se ouve a docilidade de ritmos como o forró, o maracatu e o chorinho, mas o que se vê é a fibra e a força destes coreógrafos que se declaram "apaixonados" pelo flamenco.

"Pegamos a dança flamenca com a música brasileira, pois afinal minha forma de ser é brasileira, então vou mover minha coxa de uma forma mais brasileira e vou sorrir quando nos cruzamos no palco porque é uma música que me remete à minha vida", explicou Priscila, de 39 anos.

A música "Na sombra da Asa Branca", de Ferragutti, foi tema da primeira coreografia que o grupo elaborou incorporando a linguagem da dança espanhola, a semente do que se tornou um espetáculo repleto de singularidades.

"É uma forma nossa de viver o flamenco", explicou Priscila.

Os três estão apaixonados pelo gênero, mas chegaram a ele de formas diferentes e quase de maneira casual, sem procurá-lo.

O que para Priscila começou sendo mais uma matéria dentro da sua formação de balé clássico, acabou se tornando sua forma de vida pela intensidade e profundidade.

No caso de André, de 44 anos, foi uma gravação que tinha que entregar para uma das disciplinas da Faculdade de Artes Plásticas que abriu as portas para este símbolo da cultura espanhola.

"Quando fui pela primeira vez a uma escola de dança, estavam dando aulas de flamenco. E a professora me disse: 'Não fique aí sentado, dance conosco", lembrou.

"Lembro que nesse dia estava de bermuda fazendo uma aula de flamenco e aquilo foi uma coisa mágica. Algo aconteceu naqueles 50 minutos e eu disse para mim mesmo: 'tenho que entrar nesse mundo'", completou.

Entre as primeiras referências de ambos, dois dos grandes nomes do gênero: Joaquín Cortés e Sara Baras.

Por sua vez, Alessandra, de 41 anos, conta que "ficou louca" pelo flamenco ao ver ao vivo seu primeiro tablado no México, uma experiência que a fez mudar suas aspirações e motivações profissionais para sempre.

"O flamenco se apoderou da minha vida", confessa.

A partir daí, os três se concentraram em estudar mais profundamente esta expressão artística que nasceu há alguns séculos da mistura das culturas árabe, judaica e cigana, e cujo berço fica na Andaluzia, no sul da Espanha.

Para André, a chave está no fato de os três se sentirem tão "flamencos" quanto um cordobês, pois, afinal, o flamenco "é uma mistura de raças, religiões, comidas e cheiros", uma definição que se ajusta de maneira fiel ao que é o próprio Brasil.

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