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Uruguai transforma prisão em centro de arte contemporânea e história natural

Divulgação
Espaço de Arte Contemporânea (EAC), que fica em antiga prisão de Montevidéu, no Uruguai Imagem: Divulgação

Sarah Yáñez-Richards

De Montevidéu

07/04/2018 06h01

Nas paredes de salas de dois metros de largura por quatro de comprimento, que de 1888 até 1986 foram celas de prisioneiros uruguaios, agora estão penduradas todos tipos de obras que vão desde colagens de cores vivas sobre a morte até um vídeo de um homem dando marteladas.

Há oito anos, uma das quatro galerias da prisão obteve uma segunda vida ao se transformar no Espaço de Arte Contemporânea (EAC), mas a ideia é que agora esta antiga prisão de Montevidéu se torne um centro cultural que acolha tanto obras internacionais de artistas vanguardistas como peças que contem a história natural do país.

Esta peculiar sinergia começará a partir do próximo dia 18 de julho, quando o Museu Nacional de Arte Natural (MNAN) inaugurará um espaço de exposição partilhado com o EAC no pavilhão de acesso à antiga prisão - de onde os guardas controlavam as galerias.

"É um espaço que começa a ser vislumbrado como um grande centro cultural de arte e ciência", disse à Agência Efe o diretor do Museu Nacional de História Natural, Javier González, que acrescentou que o local servirá como "uma caixa de ressonância", algo benéfico para as duas instituições.

A abertura do espaço não teve data escolhida por acaso, já que foi em "18 julho de 1938 que o museu abriu pela primeira vez suas portas ao público".

"Nesses 180 anos, a instituição passou sempre por diferentes sedes, nenhuma própria. Esta é a primeira vez que o museu se fixaria em uma sede própria", destacou.

Por sua vez, o diretor do EAC, Fernando Sicco, explicou à Efe que durante a obra, realizada em 2009 para transformar o edifício em um espaço de arte vanguardista, foi respeitada a estrutura original da penitenciária para manter sua "aura", apesar de o antigo presídio ainda não ser de "interesse patrimonial".

A respeito da arquitetura, o curador contou que o modelo panóptico do antigo presídio - composto por um eixo central e quatro galerias - buscava a "possibilidade de que o vigilante visse sem ser visto, e que o preso estivesse sempre sob vigilância ou pelo menos com a ideia interiorizada de que estava sendo observado constantemente".

Além disso, ele ressaltou que esta é a prisão panóptica "mais antiga ainda de pé na América Latina no seu estado original", pois as de Buenos Aires e Lima "foram demolidas", e a de Bogotá, que também é um museu, "sofreu intervenções".

Essa é a razão pela qual Sicco acredita que o museu tem um atrativo turístico singular, ainda mais levando em conta que a capital uruguaia não dispõe de muitos edifícios antigos.

"Há um público que talvez não seja assíduo da arte em geral e que vem porque o fato de ser uma antiga prisão lhe desperta curiosidade", comentou o especialista.

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