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Áustria planeja fazer memorial em homenagem aos judeus mortos no Holocausto

12/03/2018 10h57

Viena, 12 mar (EFE).- No mesmo dia em que a Áustria lembra que foi anexada pela Alemanha nazista em 1938, o governo austríaco anunciou que planeja construir no centro de Viena uma parede em homenagem aos quase 66 mil judeus do seu país assassinados durante o Holocausto.

A coalizão de governo, formada pelo partido democrata-cristão ÖVP e pelo ultranacionalista FPÖ, debaterá o tema nos próximos conselho de ministros. O objetivo é "ter um sinal permanente de lembrança", conforme diz a proposta do primeiro-ministro Sebastian Kurz, divulgada nesta segunda-feira pelos principais jornais do país. De acordo com a emissora pública "ORF", o monumento poderia ser erguido perto do Parlamento da Áustria, no "Ringstrasse", a principal avenida da capital.

A comunidade judaica no país se mostrou cética quanto ao anúncio e lembrou que o FPÖ segue tendo problemas para se distanciar do nazismo e do antissemitismo. Em entrevista à emissora pública "Ö1", o presidente da Comunidade Judaica de Viena, Oskar Deutsch, afirmou que este monumento "não é muito crível".

"Como presidente da Comunidade (de Viena) não posso ser contrário a um memorial, mas preferiria ter um parlamento e um governo sem ativistas pangermanistas e antissemitas", disse ele em alusão a alguns militantes do FPÖ.

Hoje, o governo lembra os 80 anos do "Anschluss", a anexação da Áustria pela Alemanha, em 12 de março de 1938, com um ato no antigo Palácio Real de Viena (Hofburg).

"Aprendemos com a História e vamos passar esta lição para as próximas gerações. A lição é que é preciso levantar a voz sempre de forma imediata contra qualquer ideologia desumana", disse o presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen.

Kurz, por sua vez, destacou que a Áustria evitou assumir a sua responsabilidade histórica por muito tempo.

"A maior parte dos milhares de expulsos (pelo nazismo) não foram repatriados (depois da guerra), não eram bem-vindos. A maior lição do passado é que de forma ativa devemos proteger o Estado de Direito e os valores democráticos, e que devemos lutar contra qualquer forma de extremismo e intolerância", concluiu o jovem político.

Durante o nazismo, além dos austríacos assassinados, 140 mil se exilaram e suas casas foram confiscadas ou adquiridas a preços irrisórios por hierarcas do regime.

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